Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2023
Um paciente de 28 anos de idade foi encaminhado para a sala de emergência com relato de desconforto respiratório. Na admissão, verificou-se pressão arterial de 70 mmHg × 40 mmHg, frequência cardíaca de 130 bpm, frequência respiratória de 20 ipm e saturação de O₂ igual a 95% em ar ambiente. Foi realizada uma ultrassonografia à beira do leito. Abaixo está representada a imagem do corte quatro câmaras.A partir do caso clínico acima, assinale a alternativa que apresenta o quadro clínico mais provável do paciente.
Choque + turgência jugular + alternância elétrica + USG derrame pericárdico → Tamponamento Cardíaco.
O paciente apresenta um quadro de choque (hipotensão, taquicardia) com sinais de tamponamento cardíaco, como turgência jugular e provável alternância elétrica no ECG. A ultrassonografia à beira do leito confirmaria um derrame pericárdico significativo com colapso de câmaras direitas, sendo a tuberculose uma causa comum de pericardite com derrame volumoso.
O tamponamento cardíaco é uma emergência médica caracterizada pela compressão do coração devido ao acúmulo de líquido no saco pericárdico, impedindo o enchimento diastólico adequado e resultando em choque obstrutivo. É uma condição de alto risco que exige reconhecimento e intervenção imediatos. A etiologia pode ser variada, incluindo trauma, neoplasias, uremia, infecções (como tuberculose) e doenças autoimunes. O quadro clínico típico envolve hipotensão, taquicardia e desconforto respiratório. No exame físico, a turgência jugular é um achado proeminente. O eletrocardiograma pode mostrar baixa voltagem difusa e, classicamente, alternância elétrica. A ultrassonografia cardíaca à beira do leito é a ferramenta diagnóstica mais rápida e eficaz, revelando o derrame pericárdico e o colapso das câmaras cardíacas direitas durante a diástole, que são sinais de comprometimento hemodinâmico. Para residentes, a capacidade de integrar os achados clínicos, eletrocardiográficos e de imagem para diagnosticar o tamponamento cardíaco é vital. O tratamento definitivo é a pericardiocentese de emergência, que alivia a pressão sobre o coração e pode ser guiada por ultrassom. A identificação da causa subjacente, como a tuberculose, é importante para o tratamento a longo prazo e prevenção de recorrências.
Os sinais clássicos do tamponamento cardíaco formam a Tríade de Beck: hipotensão arterial, turgência jugular (pressão venosa central elevada) e abafamento das bulhas cardíacas. Outros sinais incluem pulso paradoxal e taquicardia.
A alternância elétrica é um achado no ECG onde a amplitude dos complexos QRS varia de batimento para batimento. É altamente sugestiva de tamponamento cardíaco e ocorre devido ao balanço do coração dentro do derrame pericárdico volumoso, alterando seu eixo elétrico em relação aos eletrodos.
A ultrassonografia cardíaca (ecocardiograma) à beira do leito é fundamental e rápida para o diagnóstico de tamponamento cardíaco. Ela permite visualizar o derrame pericárdico, o colapso das câmaras direitas (átrio e ventrículo direito) durante a diástole, e a variação respiratória do fluxo transvalvar, confirmando a compressão cardíaca.
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