CCG - Centro de Cirurgia Geral (MS) — Prova 2015
Jovem, vítima de ferimento por arma branca no quinto espaço intercostal, na linha hemiclavicular. Chega ao PS consciente e orientado, pálido, sudoreico, pressão arterial 60X50, frequência cardíaca: 151 bpm e respiratória 30 rpm, murmúrio vesicular audível bilateral e simétrico, bulhas cárdicas poucos audíveis, e não há desvio de traqueia, mas estase jugular bilateral. Qual a hipótese diagnóstica mais provável?
Hipotensão + Bulhas abafadas + Estase jugular = Tríade de Beck (Tamponamento).
O tamponamento cardíaco é um choque obstrutivo causado pelo acúmulo de sangue no espaço pericárdico, impedindo o enchimento ventricular e reduzindo drasticamente o débito cardíaco.
O tamponamento cardíaco ocorre quando o espaço pericárdico, que normalmente contém uma pequena quantidade de líquido, é preenchido rapidamente por sangue devido a uma lesão cardíaca ou de grandes vasos. Como o pericárdio fibroso não é complacente, pequenos volumes (150-200ml) podem elevar drasticamente a pressão intrapericárdica, superando a pressão de enchimento das câmaras direitas. Isso resulta em colapso diastólico do ventrículo direito e redução crítica do volume sistólico. O diagnóstico no trauma é clínico e auxiliado pelo FAST (Focused Assessment with Sonography for Trauma), que visualiza o líquido no espaço pericárdico. O manejo exige intervenção cirúrgica rápida, pois o choque obstrutivo evolui rapidamente para parada cardiorrespiratória em atividade elétrica sem pulso (AESP).
A Tríade de Beck é composta por hipotensão arterial, abafamento das bulhas cardíacas e turgência (estase) jugular. Ela é o achado clínico clássico do tamponamento cardíaco agudo, embora nem sempre todos os elementos estejam presentes simultaneamente, especialmente em ambientes de trauma hipovolêmico onde a estase jugular pode ser menos evidente.
Ambos apresentam hipotensão e estase jugular. No entanto, no pneumotórax hipertensivo, há ausência ou diminuição importante do murmúrio vesicular no lado afetado, além de hipertimpanismo à percussão e possível desvio da traqueia. No tamponamento cardíaco, o murmúrio vesicular está preservado e simétrico bilateralmente.
No cenário de trauma, o tratamento definitivo é a toracotomia de emergência ou esternotomia para reparo da lesão cardíaca. Como medida temporária de salvamento (ponte), pode-se realizar a pericardiocentese (punção de Marfan), preferencialmente guiada por ultrassom (FAST), para descompressão imediata do saco pericárdico e melhora hemodinâmica.
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