MedEvo Simulado — Prova 2026
Vinícius, um homem de 26 anos, é levado ao pronto-socorro por socorristas após sofrer um ferimento por arma branca no quarto espaço intercostal esquerdo, na linha paraesternal. Durante a avaliação inicial na sala de trauma, o paciente apresenta-se agitado e sudoreico. Os sinais vitais revelam pressão arterial de 76/40 mmHg, frequência cardíaca de 128 bpm, frequência respiratória de 24 irpm e saturação de oxigênio de 93% em ar ambiente. À inspeção, observa-se turgência jugular bilateral. A ausculta pulmonar demonstra murmúrio vesicular universal e simétrico, sem ruídos adventícios, enquanto a ausculta cardíaca revela bulhas rítmicas, porém visivelmente abafadas. Diante da principal suspeita clínica para este mecanismo de trauma, a conduta imediata mais adequada é:
Tríade de Beck (Hipotensão + Jugular turgente + Bulhas abafadas) → Tamponamento Cardíaco.
No trauma penetrante com choque obstrutivo e pulmões limpos, o tamponamento cardíaco é a principal suspeita. A descompressão cirúrgica imediata é a conduta definitiva.
O tamponamento cardíaco ocorre quando o acúmulo de sangue no espaço pericárdico impede o enchimento diastólico das câmaras cardíacas, resultando em queda drástica do débito cardíaco. No contexto de trauma penetrante em 'área de Ziedler' (região precordial), volumes pequenos como 100ml podem ser fatais devido à natureza inelástica do pericárdio fibroso. O diagnóstico é eminentemente clínico, mas pode ser auxiliado pelo FAST (Focused Assessment with Sonography for Trauma) na sala de emergência. A conduta padrão-ouro para pacientes instáveis com ferimento penetrante e sinais de tamponamento é a toracotomia imediata para descompressão e controle da lesão cardíaca, preferencialmente em centro cirúrgico, ou na sala de trauma se houver parada cardiorrespiratória iminente.
Ambos apresentam hipotensão e turgência jugular devido à restrição do retorno venoso. No entanto, o pneumotórax hipertensivo apresenta ausência de murmúrio vesicular e hipertimpanismo no lado afetado, enquanto no tamponamento cardíaco a ausculta pulmonar é universalmente audível e simétrica.
A pericardiocentese é considerada uma medida temporária de exceção (ponte) quando a toracotomia não está disponível imediatamente. No trauma, o sangue no saco pericárdico frequentemente está coagulado, o que pode tornar a aspiração por agulha ineficaz, tornando a descompressão cirúrgica a escolha preferencial.
A Tríade de Beck consiste em hipotensão arterial, turgência jugular e bulhas cardíacas abafadas. Embora clássica, ela está presente em apenas cerca de 30% dos casos de tamponamento cardíaco agudo, exigindo alto índice de suspeição clínica baseada no mecanismo do trauma.
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