Hospital Alemão Oswaldo Cruz (SP) — Prova 2021
Primigesta, 39 semanas e dois dias, nega doenças previas à gestação, sem intercorrências durante o pré-natal, pesquisa de streptococcos beta hemolítico positivo, procura pronto atendimento referindo cólicas em andar inferior do abdômen e perda de secreção amarelada com laivos de sangue e coloração amarelada via vaginal há 1 dia. Ao exame físico encontra- se em bom estado geral, normotensa e normocárdica, abdômen gravídico, altura uterina de 36 cm, contrações esporádicas a cada nove minutos. Exame especular mostra imagem a seguir, sem perda à manobra de valsalva. Ao exame de toque apresenta colo pérvio para 2 cm, médio, posterior, apresentação cefálica, alta e móvel. Qual o provável diagnóstico da secreção e a conduta?
Gestante a termo com cólicas esporádicas + perda de tampão mucoso → Pródromos de parto, conduta expectante.
A perda do tampão mucoso, caracterizada por secreção vaginal gelatinosa, amarelada ou com laivos de sangue, é um sinal de que o colo uterino está começando a se modificar e pode indicar o início dos pródromos de parto. Em uma gestante a termo, com contrações esporádicas e colo com dilatação inicial, a conduta é expectante, com analgesia e orientações, sem indicação de indução imediata ou preocupação com rotura de membranas.
A gestação a termo é um período de grande expectativa e mudanças fisiológicas que preparam o corpo materno para o parto. Os pródromos de parto são um conjunto de sinais e sintomas que antecedem o trabalho de parto ativo, indicando que o corpo está se preparando. A perda do tampão mucoso é um desses sinais, caracterizada pela eliminação de uma secreção gelatinosa, por vezes com laivos de sangue, que oclui o colo uterino durante a gravidez. A fisiopatologia da perda do tampão mucoso está relacionada ao amolecimento e apagamento do colo uterino, que ocorre devido a alterações hormonais e mecânicas no final da gestação. Este processo leva à expulsão do muco acumulado. É importante diferenciar essa perda de outras condições, como a rotura prematura de membranas (RPM), que envolve a saída de líquido amniótico. A ausência de perda de líquido à manobra de Valsalva e a natureza da secreção são cruciais para o diagnóstico diferencial. A conduta para uma gestante a termo que apresenta perda do tampão mucoso e contrações esporádicas, sem outros sinais de trabalho de parto ativo ou complicações, é conservadora. Inclui analgesia para o desconforto das cólicas, observação da evolução do quadro e orientações claras sobre os sinais de alerta para retornar ao hospital, como o aumento da frequência e intensidade das contrações, ou a perda de líquido amniótico. A pesquisa positiva para Streptococcus beta-hemolítico indica a necessidade de profilaxia antibiótica intraparto, mas não altera a conduta imediata para os pródromos de parto.
O tampão mucoso é uma secreção gelatinosa que se forma no colo uterino durante a gestação, atuando como uma barreira protetora contra infecções ascendentes. Sua perda indica que o colo está amolecendo e começando a dilatar.
A perda do tampão mucoso é uma secreção mais espessa, gelatinosa, com ou sem laivos de sangue, e em menor volume. A RPM é caracterizada pela perda de líquido amniótico, que é mais fluido, contínuo e geralmente em maior quantidade, com teste de Valsalva positivo para perda.
A conduta é expectante, pois indica pródromos de parto ou trabalho de parto inicial. Recomenda-se analgesia, observação da evolução das contrações e orientações sobre quando retornar ao hospital, como em caso de intensificação das contrações ou perda de líquido amniótico.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo