PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2024
Durante seu plantão na UTI, você está atendendo um paciente chamado L.F.P, de 62 anos, portador de Insuficiência Cardíaca com fração de ejeção reduzida, internado devido a choque séptico de foco pulmonar, em uso de piperacilinatazobactam 4,5 gramas de 6/6 horas. No momento de sua avaliação, o paciente encontra-se intubado em ventilação mecânica, sob modalidade assistido-controlada, modo VCV, com volume corrente (VC): 360 ml, frequência respiratória (FR): 16 irpm, PEEP: 5 cmH2O, FiO2: 30%, monitorizado hemodinamicamente com pressão arterial invasiva e pressão venosa central, que estão respectivamente em 112/64 mmHg e em 3 cmH2O.Ao checar os exames laboratoriais, você percebe um Hb: 5,6 g/dl, e opta então por indicar transfusão de concentrado de hemácias, e solicita três bolsas. Após cerca de 2 horas, durante a infusão da segunda bolsa, você é chamado pela enfermagem, pois o paciente está dessaturando. Ao avaliar o paciente, você observa que a SaO2 está em 84% e decide então aumentar a PEEP para 10 cmH2O e a FiO2: 60%, com pouca resposta. Após a sua intervenção, você avalia os demais parâmetros do paciente e vê que a PA está em 134/88 mmHg e a PVC está em 16 cmH2O. Você decide então por realizar um POCUS e vê que ambos os pulmões apresentam-se com padrão B, com diâmetro de veia cava inferior de 29 mm, sem variabilidade respiratória.Qual o possível diagnóstico e a melhor conduta a ser tomada?
Dispneia, ↑PA, ↑PVC, B-lines, IVC dilatada pós-transfusão em paciente com IC → TACO. Parar transfusão + diurético.
O quadro clínico de dispneia, hipertensão, elevação da PVC, achados de POCUS (linhas B bilaterais e VCI dilatada sem variabilidade) em um paciente com insuficiência cardíaca após transfusão de hemácias é altamente sugestivo de TACO, exigindo interrupção da transfusão e diuréticos.
A transfusão de hemácias é um procedimento comum, mas não isento de riscos. Entre as reações transfusionais mais sérias, destacam-se a TACO (Transfusion Associated Circulatory Overload) e a TRALI (Transfusion Related Acute Lung Injury). A TACO é uma complicação grave e potencialmente fatal, caracterizada por insuficiência respiratória aguda devido à sobrecarga volêmica, especialmente em pacientes com fatores de risco como insuficiência cardíaca ou renal. O diagnóstico de TACO é clínico, baseado no aparecimento de dispneia, taquicardia, hipertensão e evidência de edema pulmonar e sobrecarga volêmica até 6 horas após a transfusão. O POCUS (Point-of-Care Ultrasound) é uma ferramenta diagnóstica rápida e eficaz, revelando linhas B pulmonares e uma veia cava inferior dilatada e não colapsável. É crucial diferenciar TACO de TRALI, pois o manejo é distinto. A conduta imediata para TACO inclui a interrupção da transfusão, suporte respiratório e administração de diuréticos, como a furosemida intravenosa, para reduzir a sobrecarga volêmica. A notificação ao banco de sangue é essencial para monitoramento e prevenção de futuros eventos. O prognóstico geralmente é bom com o tratamento precoce e adequado.
Os critérios para TACO incluem início agudo de dispneia, taquicardia, hipertensão, edema pulmonar (radiológico ou clínico), elevação da pressão venosa central e evidência de sobrecarga volêmica, ocorrendo até 6 horas após a transfusão.
O POCUS é uma ferramenta valiosa para TACO, mostrando linhas B bilaterais difusas no pulmão (indicando edema pulmonar) e uma veia cava inferior dilatada e com pouca ou nenhuma variabilidade respiratória, sugerindo sobrecarga volêmica.
TACO (Transfusion Associated Circulatory Overload) é causado por sobrecarga volêmica, resultando em edema pulmonar cardiogênico, geralmente com hipertensão e PVC elevada. TRALI (Transfusion Related Acute Lung Injury) é uma lesão pulmonar aguda não cardiogênica, com infiltrados pulmonares bilaterais e hipoxemia, frequentemente associada a hipotensão e febre, sem evidência de sobrecarga volêmica.
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