USP/Ribeirão Preto - Exame Revalida — Prova 2019
A tabela abaixo mostra os resultados de um estudo epidemiológico do tipo caso-controle conduzido em hospitais e que avalia o uso de telefone celular como possível causa/fator de risco de tumores do cérebro.Distribuição de casos e controles segundo uso médio diário de telefone celularAo se analisar os dados da tabela chegou-se aos seguintes resultados:Medida de associação (X) = 1,23 (Intervalo de Confiança a 95% = 0,93 a 1,63).De acordo com tais resultados e levando-se em consideração tratar-se de estudo caso-controle, a medida de associação (X) APROPRIADA, deverá ser:
Estudo caso-controle → Odds Ratio (OR) é a medida de associação apropriada, pois não permite calcular incidência.
Em estudos caso-controle, a seleção dos participantes é baseada na presença ou ausência da doença (casos e controles), e não na exposição. Isso impede o cálculo direto da incidência da doença nos expostos e não expostos, tornando o Odds Ratio a medida de associação adequada para estimar a força da associação entre exposição e desfecho.
No campo da epidemiologia, a escolha da medida de associação correta é fundamental para interpretar os resultados de um estudo. Para residentes e estudantes de medicina, compreender as nuances entre os diferentes tipos de estudos e suas respectivas medidas é crucial para a prática baseada em evidências. Os estudos caso-controle são delineamentos observacionais que partem do desfecho (doença) para investigar a exposição (fator de risco). Nesses estudos, selecionam-se indivíduos com a doença (casos) e um grupo comparável sem a doença (controles), e então se investiga retrospectivamente a presença da exposição em ambos os grupos. Devido a essa metodologia, não é possível calcular diretamente a incidência da doença na população exposta e não exposta, o que inviabiliza o uso do Risco Relativo (RR). O RR é a medida de associação preferencial para estudos de coorte e ensaios clínicos, onde a incidência pode ser determinada. A medida de associação apropriada para estudos caso-controle é o Odds Ratio (OR), também conhecido como Razão de Chances. O OR estima a chance de exposição entre os casos em comparação com a chance de exposição entre os controles. Quando a doença é rara na população, o OR é uma boa aproximação do Risco Relativo. A interpretação do OR de 1,23 com um Intervalo de Confiança de 95% de 0,93 a 1,63 indica que, embora haja uma chance ligeiramente maior de exposição nos casos, o intervalo de confiança cruza o valor nulo de 1,0, o que significa que a associação observada não é estatisticamente significativa. Isso sugere que, com base nesses dados, não se pode afirmar com 95% de certeza que o uso de telefone celular está associado a um aumento do risco de tumores cerebrais.
Em estudos caso-controle, os participantes são selecionados com base no status da doença (casos e controles), e não na exposição. Isso significa que a incidência da doença nos grupos expostos e não expostos não pode ser calculada diretamente, tornando o Odds Ratio a estimativa mais adequada da associação entre exposição e desfecho.
O Risco Relativo (RR) é a razão das incidências da doença entre expostos e não expostos, usado em estudos de coorte. O Odds Ratio (OR) é a razão das chances de exposição entre casos e controles. O OR é uma boa estimativa do RR, especialmente quando a doença é rara na população.
Um OR de 1,23 significa que a chance de exposição (uso de celular) é 1,23 vezes maior nos casos (tumores cerebrais) do que nos controles. O Intervalo de Confiança (IC) de 0,93 a 1,63, que inclui o valor 1,0, indica que a associação não é estatisticamente significativa ao nível de 95%, ou seja, não se pode descartar que o efeito seja nulo.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo