USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2022
A primeira consulta de gestante de 23 anos, em situação de rua, foi realizada com 14 semanas. Nessa consulta verifica-se que ela fuma 4 cigarros por dia, o primeiro no período da tarde. A paciente afirma que até gostaria de parar de fumar, mas que não consegue, pois já tentou outras vezes e não conseguiu. Qual é a primeira abordagem recomendada pelo Ministério da Saúde para esse tipo de situação?
Gestante tabagista com dificuldade de cessação → Investigar tentativas anteriores e oferecer suporte individualizado.
A abordagem inicial para gestantes tabagistas, especialmente aquelas com histórico de tentativas frustradas, deve ser individualizada. É fundamental investigar as tentativas anteriores para entender os gatilhos e barreiras, e então orientar estratégias de tratamento adaptadas à gestação, que podem incluir aconselhamento intensivo e, em casos selecionados, farmacoterapia.
O tabagismo na gestação é um grave problema de saúde pública, com impactos deletérios tanto para a mãe quanto para o feto. Estima-se que uma parcela significativa das gestantes continue fumando, apesar dos riscos conhecidos. A abordagem do tabagismo no pré-natal é uma oportunidade crucial para intervenção, visando a cessação ou, no mínimo, a redução do consumo de cigarros. A fisiopatologia dos danos fetais envolve a exposição a substâncias tóxicas como nicotina, monóxido de carbono e cianeto, que causam vasoconstrição placentária, hipóxia fetal e comprometimento do desenvolvimento. O diagnóstico do tabagismo é feito pela anamnese, mas a abordagem deve ir além da simples identificação, buscando entender o grau de dependência e a motivação da gestante para parar de fumar. A primeira abordagem recomendada pelo Ministério da Saúde e por diretrizes internacionais é a avaliação individualizada. Isso inclui verificar como foram as tentativas anteriores de cessação, identificar barreiras e facilitadores, e então orientar estratégias de tratamento que podem envolver aconselhamento intensivo, suporte psicossocial e, em casos selecionados, farmacoterapia. O objetivo é construir um plano de cessação realista e sustentável para a gestante.
O tabagismo na gestação aumenta o risco de aborto espontâneo, gravidez ectópica, descolamento prematuro de placenta, parto prematuro, restrição de crescimento intrauterino, baixo peso ao nascer, malformações congênitas e síndrome da morte súbita do lactente.
Investigar tentativas anteriores ajuda a identificar os motivos do insucesso, os gatilhos para fumar e as estratégias que foram ou não eficazes, permitindo uma abordagem mais personalizada e eficaz para a gestante.
As estratégias incluem aconselhamento comportamental intensivo, terapia cognitivo-comportamental e, em casos específicos e sob supervisão médica, o uso de terapia de reposição de nicotina (TRN), sempre avaliando risco-benefício.
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