HC ICC - Hospital do Câncer - Instituto do Câncer do Ceará — Prova 2025
Homem adulto, 58 anos de idade, procura atendimento com queixa de dispneia que vem evoluindo há alguns meses e atualmente compromete suas atividades diárias. Qual das características listadas a seguir é mais sugestiva para pensar na hipótese de doença pulmonar obstrutiva crônica?
Dispneia crônica e progressiva em adulto > 40 anos com história de tabagismo = DPOC até prova em contrário.
O tabagismo é o principal fator de risco para o desenvolvimento de Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC). Em um paciente com dispneia crônica e progressiva, a história de exposição significativa ao tabaco é a característica mais forte e específica para levantar essa hipótese diagnóstica.
A Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) é uma condição respiratória comum, prevenível e tratável, caracterizada por sintomas respiratórios persistentes e limitação do fluxo aéreo. Sua prevalência é alta, especialmente em populações com histórico de tabagismo, que é o principal fator de risco modificável em todo o mundo. A fisiopatologia da DPOC envolve uma resposta inflamatória anormal dos pulmões a partículas ou gases nocivos, principalmente da fumaça do cigarro. Essa inflamação crônica leva a alterações estruturais, incluindo a destruição do parênquima pulmonar (enfisema) e o estreitamento das pequenas vias aéreas (bronquiolite obstrutiva). O resultado é uma limitação progressiva e largamente irreversível do fluxo aéreo. A suspeita diagnóstica deve ser alta em qualquer paciente com mais de 40 anos, dispneia, tosse crônica e histórico de exposição a fatores de risco. O diagnóstico é confirmado pela espirometria, que demonstra obstrução fixa (relação VEF1/CVF pós-broncodilatador < 0,70). Diferenciar DPOC de asma é crucial: a DPOC tem início mais tardio, é progressiva e a obstrução é pouco reversível, enquanto a asma geralmente começa mais cedo, tem sintomas variáveis e a obstrução é tipicamente reversível.
Os sintomas cardinais são dispneia progressiva (que piora com o esforço), tosse crônica (frequentemente matinal) e produção crônica de escarro. Em casos avançados, pode haver perda de peso, sibilância e uso de musculatura acessória para respirar.
O diagnóstico funcional é confirmado pela espirometria. O exame deve demonstrar uma relação VEF1/CVF (Índice de Tiffeneau) inferior a 0,70 após o uso de broncodilatador, o que caracteriza uma obstrução fixa do fluxo aéreo.
Sim. Embora o tabagismo seja responsável por 80-90% dos casos, outros fatores incluem exposição ocupacional a poeiras e produtos químicos, poluição do ar (incluindo queima de biomassa em fogões a lenha) e a deficiência genética de alfa-1 antitripsina.
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