HIAE/Einstein - Hospital Israelita Albert Einstein (SP) — Prova 2026
Christian tem 16 anos e foi à UBS sozinho buscar ajuda. Está preocupado porque fuma desde os 12 anos, e ontem seu tio foi internado por tosse com sangue, quadro que a família alega ser causado pelo cigarro. Fernanda, médica de família, acolhe-o e, na anamnese, percebe que ele está em fase de ação para parar de fumar. Registra que ele não faz uso de medicamentos contínuos, bebe eventualmente cerveja com amigos e iniciou atividade sexual, mas no momento não tem parceria fixa. Em relação à conduta sobre o tabagismo, assinale a alternativa correta sobre o cuidado dessa pessoa.
Paciente em fase de ação → Avaliar dependência + Oferecer suporte intensivo (grupo/individual).
O tratamento do tabagismo baseia-se no estágio motivacional; adolescentes em fase de ação beneficiam-se de abordagens comportamentais e grupos de apoio estruturados.
O tabagismo iniciado na adolescência está associado a uma maior dificuldade de cessação na vida adulta devido à neuroplasticidade cerebral. A abordagem deve ser empática e centrada na pessoa, utilizando a entrevista motivacional. É essencial avaliar o grau de dependência física e psicológica. O tratamento padrão envolve a abordagem cognitivo-comportamental, que ajuda o paciente a identificar gatilhos e desenvolver habilidades para lidar com a abstinência.
O modelo de Prochaska e DiClemente descreve cinco estágios: Pré-contemplação (não quer parar), Contemplação (pensa em parar, mas está ambivalente), Preparação (planeja parar em breve), Ação (parou de fumar recentemente ou está no processo ativo) e Manutenção (foco em prevenir recaídas). Identificar o estágio é fundamental para adequar a intervenção médica: enquanto na pré-contemplação foca-se em sensibilização, na fase de ação o foco é o suporte prático e manejo de fissura.
A evidência para o uso de medicamentos (TRN, bupropiona, vareniclina) em menores de 18 anos é limitada e não é recomendada como primeira linha de forma isolada. A prioridade absoluta na adolescência é a abordagem cognitivo-comportamental, seja individual ou em grupo. O uso de medicação pode ser considerado em casos selecionados de alta dependência (escore de Fagerström elevado), mas sempre como adjuvante à terapia comportamental e com monitoramento próximo.
Grupos de aconselhamento permitem a troca de experiências e o fortalecimento de estratégias de enfrentamento (coping) entre pares. Para o adolescente, o componente social do tabagismo é muito forte, e o grupo ajuda a desconstruir gatilhos sociais. Além disso, a abordagem em grupo no SUS segue protocolos estruturados que aumentam significativamente as taxas de abstinência a longo prazo em comparação com intervenções breves isoladas.
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