UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2024
Apesar de as cirurgias terem revolucionado o tratamento da obesidade mórbida, os procedimentos não são isentos de risco. Em relação à técnica de derivação biliopancreática associada à interposição duodenal (switch duodenal) para o tratamento da obesidade mórbida, a complicação tardia mais comumente relacionada é:
Switch Duodenal → ↑ risco de desnutrição proteico-calórica por componente disabsortivo intenso.
O Switch Duodenal combina gastrectomia vertical com desvio intestinal longo, resultando em má absorção severa de proteínas e gorduras, exigindo vigilância nutricional rigorosa.
O Switch Duodenal (derivação biliopancreática com interposição duodenal) é reservado para pacientes com IMC muito elevado (>50 kg/m²) devido à sua alta eficácia metabólica. No entanto, a fisiopatologia da técnica envolve a exclusão de grande parte do intestino delgado do trânsito alimentar, limitando a absorção de nutrientes. A desnutrição proteico-calórica manifesta-se tardiamente com edema, queda de cabelo e sarcopenia, sendo a complicação mais prevalente comparada a hérnias internas ou dilatações gástricas.
O Switch Duodenal é uma técnica predominantemente disabsortiva. Ao criar um canal comum curto onde o quimo encontra as secreções biliopancreáticas apenas no íleo terminal, a área de superfície disponível para a absorção de macronutrientes, especialmente proteínas e gorduras, é drasticamente reduzida. Isso leva a um estado de má absorção crônica que, se não for compensado por uma dieta hiperproteica e suplementação rigorosa, resulta em hipoalbuminemia e perda de massa magra significativa.
No Bypass Gástrico em Y de Roux, há um componente restritivo maior e um desvio intestinal moderado, enquanto o Switch Duodenal preserva o piloro (gastrectomia vertical) mas realiza um desvio intestinal muito mais agressivo. O Switch mantém a anatomia duodenal proximal mas reduz o canal comum de absorção para cerca de 50-100 cm, o que potencializa a perda de peso mas aumenta exponencialmente o risco de complicações nutricionais e diarreia esteatorreica.
O seguimento deve ser vitalício e multidisciplinar. É mandatório o monitoramento trimestral no primeiro ano e semestral posteriormente, avaliando níveis de albumina, pré-albumina, vitaminas lipossolúveis (A, D, E, K), cálcio, ferro e zinco. A ingestão proteica recomendada é geralmente superior a 80-120g por dia para compensar a má absorção inerente à técnica cirúrgica.
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