UnB/HUB - Hospital Universitário de Brasília (DF) — Prova 2020
Paciente de vinte e cinco anos de idade, vítima de acidente automobilístico com capotamento ocorrido havia 8 horas, foi levado ao pronto-socorro, onde deu entrada consciente, orientado, imobilizado em prancha rígida, com colar cervical. O paciente apresentava sinais vitais normais, quadro de dor em região cervical, abdominal e lacerações em membros superiores e inferiores. Com relação a esse caso clínico e aos múltiplos aspectos a ele relacionados, julgue o item a seguir. Devido ao tempo decorrido entre o acidente e o atendimento, não se deve suturar as lacerações de pele, pois isso aumentaria o risco de infecção.
Feridas limpas/limpas-contaminadas < 6-12h (face até 24h) → Sutura primária permitida após limpeza.
O tempo decorrido de 8 horas não contraindica formalmente a sutura primária, especialmente se a ferida for bem irrigada e desbridada, visando reduzir a morbidade e acelerar a cicatrização.
O manejo de feridas no pronto-socorro exige discernimento clínico sobre o risco de infecção versus o benefício estético e funcional do fechamento primário. Embora o tempo de 8 horas mencionado na questão seja um ponto de atenção, ele não é uma contraindicação absoluta. A decisão baseia-se na carga bacteriana estimada, na vascularização do leito da ferida e na capacidade de realizar uma limpeza mecânica eficaz. O fechamento primário tardio ou por segunda intenção é reservado para casos de contaminação severa ou atrasos muito prolongados em áreas de baixa vascularização. No trauma automobilístico, lacerações simples sem contaminação maciça devem ser suturadas para proteger estruturas subjacentes e evitar a dessecação de tecidos profundos.
Tradicionalmente, o período de ouro é considerado entre 6 a 8 horas após a lesão. No entanto, esse tempo é variável. Feridas em áreas muito vascularizadas, como a face e o couro cabeludo, podem ser suturadas com segurança até 24 horas após o trauma, desde que não apresentem sinais evidentes de infecção ou contaminação grosseira.
A sutura primária deve ser evitada em feridas com sinais claros de infecção ativa (pus, calor, rubor intenso), feridas por mordedura humana ou animal em mãos e pés (devido ao alto risco de infecção), ou feridas com alto grau de contaminação por detritos que não podem ser completamente removidos.
A técnica mais eficaz é a irrigação copiosa com solução salina 0,9% sob pressão, associada ao desbridamento cuidadoso de tecidos desvitalizados e corpos estranhos. A escolha do material de sutura (monofilamentares) e a técnica asséptica são fundamentais para o sucesso do procedimento.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo