INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2015
Uma paciente de 40 anos de idade procura a Unidade Básica de Saúde com ferimento cortocontuso de 7 cm de extensão na face anterior da coxa direita, de bordas regulares, acometendo pele, tecido subcutâneo e musculatura, causado por vidro, o sangramento local é de pequena monta. Informa reforço de vacina antitetânica há 1 ano. Após antissepsia local, bloqueio anestésico e limpeza da ferida constatando-se que não há corpos estranhos, deve-se realizar o reparo da ferida com:
Músculo e subcutâneo → Fio absorvível (Vicryl); Pele → Fio não absorvível (Nylon).
O fechamento de feridas profundas deve ser feito por planos para eliminar o espaço morto, utilizando fios absorvíveis internamente e fios não absorvíveis na pele para reduzir a reação inflamatória.
O manejo de feridas cortocontusas na atenção primária ou emergência exige conhecimento técnico sobre a anatomia e os materiais de síntese. Feridas que atingem a musculatura requerem desbridamento de tecidos desvitalizados e limpeza rigorosa antes do fechamento. A escolha do calibre do fio (como o 3-0 para membros) deve equilibrar a resistência necessária com o trauma tecidual mínimo. A profilaxia do tétano é parte integrante do atendimento. Em pacientes com vacinação atualizada (menos de 5 anos para feridas de alto risco ou 10 anos para baixo risco), apenas a limpeza local é suficiente. O fechamento por planos, começando do mais profundo para o superficial, garante a integridade estrutural e funcional da região afetada.
Fios absorvíveis (como a poliglactina ou o categute) são indicados para tecidos internos que não requerem suporte de tensão permanente, como fáscias, músculos e tecido subcutâneo. Eles perdem sua força tênsil à medida que o organismo os degrada, eliminando a necessidade de remoção posterior em locais de difícil acesso.
A sutura do subcutâneo serve para aproximar as bordas da ferida e, crucialmente, eliminar o 'espaço morto'. O acúmulo de fluidos (seroma ou sangue) nesse espaço aumenta significativamente o risco de infecção e deiscência da ferida. Além disso, reduz a tensão sobre a sutura da pele, melhorando o resultado estético.
Na pele, especialmente em áreas de grande tensão como a coxa, prefere-se o uso de fios não absorvíveis monofilamentares (como o Nylon). Eles provocam menos reação inflamatória tecidual e mantêm a força tênsil necessária durante o período de cicatrização cutânea, sendo removidos após 7 a 14 dias.
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