CBO Teórico-Prática - Prova de Imagens da Oftalmologia — Prova 2022
Dentre os esquemas representados a seguir, qual demonstra a maneira mais adequada de se realizar a sutura da córnea numa laceração traumática linear?
Sutura de córnea → 90% de profundidade, equidistante e perpendicular à ferida.
A sutura ideal em lacerações lineares deve garantir a coaptação das bordas e a estanqueidade da câmara anterior, minimizando o astigmatismo induzido através de pontos equidistantes e profundos.
O reparo de lacerações corneanas é uma das urgências oftalmológicas mais críticas, exigindo precisão microscópica. A restauração da integridade anatômica é o objetivo primário, mas a preservação da função visual através do controle do astigmatismo é o objetivo secundário essencial. A técnica correta envolve a passagem da agulha perpendicularmente à ferida para evitar o deslizamento das bordas (shearing). Além da técnica de sutura, o manejo pós-operatório inclui o uso de antibióticos tópicos de amplo espectro e corticoides para controlar a inflamação, dependendo da natureza do trauma. A remoção dos pontos é geralmente tardia, ocorrendo meses após o trauma, baseada na estabilização da cicatriz e na análise topográfica da córnea para manejo do astigmatismo residual.
A profundidade ideal para uma sutura de córnea é de aproximadamente 90% da espessura estromal. Suturas que atingem essa profundidade garantem o fechamento tanto da porção anterior quanto da posterior da ferida, prevenindo a inclinação das bordas e garantindo a estanqueidade da câmara anterior. Suturas de espessura total devem ser evitadas para não criar um trajeto para micro-organismos ou vazamento de humor aquoso pelo trajeto do fio.
O padrão-ouro para suturas corneanas é o monofilamento de Nylon 10-0. Este material é escolhido por sua alta força de tensão, excelente biocompatibilidade e elasticidade, o que permite um fechamento seguro com mínima reação inflamatória tecidual. O sepultamento do nó é essencial para o conforto do paciente e para reduzir o risco de infecção e vascularização corneana.
Para minimizar o astigmatismo induzido, as suturas devem ser colocadas de forma equidistante em relação à ferida e com tensão uniforme. Em lacerações lineares, a técnica de 'bissecção' (colocar o primeiro ponto no centro e os subsequentes dividindo os espaços restantes) ajuda a distribuir a tensão. Suturas muito curtas ou muito apertadas tendem a causar maior distorção da curvatura corneana.
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