CBO Teórico-Prática - Prova de Imagens da Oftalmologia — Prova 2015
A técnica cirúrgica exemplificada na foto é melhor empregada em qual dos casos abaixo?
Função do levantador < 4mm → Suspensão ao músculo frontal.
A escolha da técnica cirúrgica na ptose depende da função do músculo levantador; valores abaixo de 4mm (função ruim) indicam suspensão frontal.
A correção cirúrgica da blefaroptose exige uma avaliação semiológica precisa da função do músculo levantador da pálpebra superior (MLPS). Em pacientes com função preservada (acima de 8-10mm), técnicas de reerguimento ou ressecção da aponeurose do levantador costumam ser eficazes. No entanto, em casos de ptose miogênica ou congênita grave, onde a fibra muscular é substituída por tecido fibrogorduroso, a excursão palpebral é mínima. A técnica de suspensão frontal utiliza o músculo frontal (inervado pelo VII par) como motor substituto para a elevação palpebral. Através de conexões ( slings) entre a placa tarsal e o supercílio, o paciente passa a elevar a pálpebra através da contração da testa. Esta técnica é fundamental para prevenir a ambliopia em crianças com ptose total e para restaurar o campo visual em adultos com distrofias musculares.
A suspensão ao músculo frontal é indicada em casos de blefaroptose grave onde a função do músculo levantador da pálpebra superior é considerada pobre, geralmente definida como uma excursão menor que 4 mm. É a técnica de escolha em ptoses miogênicas severas, ptoses congênitas com má função do levantador e em casos de blefaroptose neurogênica, como na paralisia do III par craniano, onde o músculo levantador não possui força contrátil suficiente para elevar a pálpebra mesmo após encurtamento cirúrgico.
A função do levantador é medida pela técnica de Berke: o examinador estabiliza o músculo frontal do paciente com o polegar para evitar sua ação compensatória e solicita que o paciente olhe do extremo inferior (infraversão) para o extremo superior (supraversão). A medida da excursão da margem palpebral em milímetros define a função: Excelente (>15mm), Boa (12-14mm), Regular (5-11mm) e Pobre (<4mm).
Os materiais podem ser autólogos ou sintéticos. O padrão-ouro autólogo é a fáscia lata, colhida da coxa do paciente, devido à sua biocompatibilidade e durabilidade. Entre os materiais sintéticos, o fio de silicone é amplamente utilizado por permitir ajustes pós-operatórios e ser reversível, sendo ideal para casos onde há risco de ceratite de exposição, como na miastenia gravis ou paralisias faciais.
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