HUSE - Hospital de Urgência de Sergipe Gov. João Alves Filho — Prova 2023
Helena, 2 anos, chega à Unidade de Saúde com sua mãe com queixa principal de tosse há 2 dias, negando febre, cansaço e vômitos. História de alergia alimentar. Ao exame com baixo peso para a idade, emagrecida, mas em bom estado geral, pálida, descorada ++/4+, hidratada, acianótica, afebril. Otoscopia e oroscopia normal. Pulmonar com ausculta simétrica sem ruídos adventícios e sem sinais de desconforto respiratório. Na pele apresenta lesões nos braços e nas pernas em estágios diferentes de cicatrização, e dois hematomas em braço direito de características recente. Ao ser questionada, a mãe de Helena ficou nervosa e informou que a filha é muito teimosa e vive caindo e tendo que ser castigada. Como você classificaria este caso e atuaria:
Suspeita de violência infantil → notificar na US, compartilhar com equipe para encaminhamentos.
A presença de lesões em diferentes estágios de cicatrização e hematomas recentes em uma criança, especialmente com uma história inconsistente ou justificativas da mãe, levanta forte suspeita de violência infantil. A conduta correta é a notificação compulsória e o compartilhamento com a equipe de saúde para garantir a proteção da criança.
A violência infantil é um grave problema de saúde pública, com impactos devastadores no desenvolvimento físico, emocional e social da criança. É fundamental que profissionais de saúde estejam aptos a identificar sinais de suspeita de maus-tratos, que podem se manifestar de diversas formas, incluindo negligência, abuso físico, sexual e psicológico. A prevalência é subestimada devido à dificuldade de detecção e notificação. A suspeita de violência deve surgir diante de achados clínicos inconsistentes com a história relatada, lesões em diferentes estágios de cicatrização, padrões de lesões atípicos, atraso no desenvolvimento, sinais de negligência (desnutrição, higiene precária) ou comportamento retraído/agressivo da criança. A história de "quedas" frequentes ou "teimosia" para justificar lesões deve ser um alerta. A conduta correta envolve a notificação compulsória da suspeita às autoridades competentes (Conselho Tutelar, Serviço Social, Polícia, Ministério Público), sem a necessidade de confirmação diagnóstica. O sigilo médico não se aplica nesses casos, pois a proteção da criança é prioritária. É essencial o trabalho em equipe multidisciplinar para o acolhimento da família e a garantia da segurança e do bem-estar da criança.
Sinais incluem lesões em diferentes estágios de cicatrização, hematomas em locais atípicos (tronco, orelhas, pescoço), fraturas inexplicadas, queimaduras com padrões incomuns e baixo peso ou desnutrição.
A conduta inicial é notificar a suspeita na própria Unidade de Saúde, documentar detalhadamente os achados e compartilhar a situação com a equipe multidisciplinar para os devidos encaminhamentos e proteção da criança.
A notificação é compulsória para proteger a criança de danos adicionais, acionar a rede de proteção (serviço social, conselho tutelar) e garantir que as medidas legais e de suporte sejam tomadas para a segurança e bem-estar do menor.
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