USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2021
Multigesta (G4P2A 1), 37 anos, interna na fase ativa do trabalho de parto espontâneo, com 37,5 semanas. Exame físico geral normal, altura uterina 37 cm. A evolução do trabalho de parto, até às 20h, está demonstrada no partograma (Figura 1). Nesse momento, a equipe decidiu por monitorizar o feto continuamente devido à ausculta de desacelerações de sua frequência cardíaca (Figura 2). Qual alternativa tem diagnósticos nesse cenário clínico?
Desacelerações FCF → suspeita de sofrimento fetal, mesmo em trabalho de parto eutócico.
A presença de desacelerações na frequência cardíaca fetal durante o trabalho de parto, mesmo com um partograma indicando evolução eutócica, é um sinal de alerta que exige monitorização contínua e investigação para afastar sofrimento fetal. A vitalidade fetal é primordial.
O trabalho de parto eutócico é caracterizado pela progressão normal da dilatação cervical e descida fetal, conforme registrado no partograma. No entanto, a avaliação da vitalidade fetal é um componente crítico e contínuo, pois mesmo em partos que progridem bem, podem surgir intercorrências que afetam o bem-estar do feto. A monitorização da frequência cardíaca fetal (FCF) é essencial para identificar precocemente sinais de hipóxia. Desacelerações da FCF são quedas transitórias na frequência cardíaca fetal e podem indicar diferentes graus de comprometimento. As desacelerações tardias, em particular, são preocupantes, pois estão associadas à insuficiência uteroplacentária e hipóxia fetal. A equipe deve estar atenta a esses sinais, mesmo que o partograma não indique distocia funcional, pois a vitalidade fetal é um indicador independente e crucial. A conduta diante de desacelerações exige uma avaliação rápida e intervenções como mudança de decúbito materno, hidratação e oxigenoterapia. Se as desacelerações persistirem ou forem de padrão preocupante (ex: tardias), a interrupção da gestação pode ser necessária para evitar a asfixia fetal e suas consequências. O diagnóstico de "suspeita de sofrimento fetal" é um alerta que demanda ação imediata para proteger o feto.
As desacelerações podem ser precoces (associadas a compressão cefálica), variáveis (compressão de cordão) ou tardias (insuficiência uteroplacentária), sendo as tardias as mais preocupantes.
A conduta inicial inclui mudança de decúbito materno, hidratação venosa, oxigenoterapia e avaliação da necessidade de interrupção da gestação, dependendo do tipo e persistência das desacelerações.
O partograma é uma ferramenta gráfica que registra a dilatação cervical e a descida da apresentação fetal ao longo do tempo, permitindo identificar distocias e a progressão do trabalho de parto.
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