UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2019
Menina, 5a, em consulta de rotina, apresenta ao exame físico hematoma em uma das nádegas, sem limitação da movimentação. Questionada, a mãe informa que a menina sofreu uma queda há poucos dias. A CONDUTA É:
Hematoma em nádega de criança 5a, sem limitação, com história de queda = suspeita de maus-tratos → genograma e visita domiciliar.
Hematomas em locais atípicos (como nádegas), sem limitação funcional e com história de queda em criança de 5 anos, devem levantar forte suspeita de maus-tratos. A conduta inicial deve ser aprofundar a investigação social e familiar, incluindo a elaboração de um genograma para entender a dinâmica familiar e, se pertinente, uma visita domiciliar para avaliar o ambiente da criança.
A suspeita de maus-tratos infantis é uma das situações mais delicadas e importantes na prática pediátrica. O médico tem o dever ético e legal de proteger a criança, e a identificação precoce de sinais de abuso pode ser crucial para a sua segurança e bem-estar. Lesões em crianças, especialmente hematomas, devem ser avaliadas com cautela, considerando a idade da criança, o tipo e localização da lesão, e a compatibilidade com a história relatada. Hematomas em locais atípicos para quedas acidentais (como nádegas, tronco, parte interna das coxas ou braços) ou com padrões sugestivos de agressão (marcas de objetos) devem sempre levantar um alerta. A história de "queda" para justificar tais lesões, especialmente se a criança não apresenta limitação funcional que justifique a lesão, deve ser vista com desconfiança. A conduta adequada envolve uma investigação aprofundada, que vai além do exame físico. A elaboração de um genograma é uma ferramenta valiosa para entender a estrutura e dinâmica familiar, identificando possíveis fatores de risco ou padrões de violência. A visita domiciliar, quando possível e apropriada, oferece uma visão direta do ambiente em que a criança vive. Em casos de forte suspeita, a notificação aos órgãos de proteção à criança é obrigatória, e a segurança da criança deve ser a prioridade máxima.
Hematomas em locais atípicos (nádegas, tronco, face, orelhas, genitais), múltiplos hematomas em diferentes estágios de cicatrização, hematomas com padrões incomuns (marcas de dedos, cintos) e discrepância entre a história e a lesão são altamente suspeitos.
O genograma ajuda a mapear a estrutura e dinâmica familiar, identificando padrões de relacionamento e fatores de risco. A visita domiciliar permite avaliar o ambiente físico e social da criança, fornecendo informações cruciais para a investigação e proteção.
Após a suspeita, é fundamental documentar detalhadamente as lesões, notificar os órgãos de proteção (Conselho Tutelar, Varas da Infância e Juventude), e garantir a segurança da criança, podendo ser necessário o afastamento temporário do agressor ou da família.
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