HVC - Hospital Vera Cruz (SP) — Prova 2023
Mulher de 28 anos de idade procura a unidade básica de saúde com queixa de mancha esbranquiçada no ombro há 4 meses. No inicio do quadro, pensou que era uma micose, fazendo uso de cetoconazol tópico por 7 dias, sem resposta. Depois disso, como a mancha em questão não ardia, coçava ou descamava, ela acabou se esquecendo da lesão. Há 15 dias, percebeu que a mancha estava ficando maior, com aumento progressivo da sua largura, além de ter a sensação de que a mancha estava ficando dormente. Em relação ao caso, assinale a alternativa correta:
Mancha hipocrômica/esbranquiçada + alteração de sensibilidade (térmica, dolorosa, tátil) → suspeita de hanseníase.
A hanseníase deve ser suspeitada em pacientes com lesões de pele (manchas hipocrômicas, avermelhadas ou acastanhadas) que apresentem alteração de sensibilidade (dormência, formigamento). A pesquisa ativa da sensibilidade térmica, dolorosa e tátil na mancha é um passo crucial no exame físico para confirmar a suspeita diagnóstica, mesmo sem histórico de contato ou eletroneuromiografia inicial.
A hanseníase, uma doença infecciosa crônica causada pelo Mycobacterium leprae, afeta principalmente a pele e os nervos periféricos. O diagnóstico precoce é crucial para evitar incapacidades e interromper a cadeia de transmissão. A apresentação clínica é variada, mas a presença de lesões cutâneas com alteração de sensibilidade é o sinal cardinal da doença. No caso apresentado, a paciente com mancha esbranquiçada, aumento progressivo e sensação de dormência (hipoestesia) no ombro tem um quadro altamente sugestivo de hanseníase. A conduta correta é realizar um exame físico detalhado, focando na pesquisa da sensibilidade térmica, dolorosa e tátil na lesão. Essa avaliação é simples, de baixo custo e fundamental para o diagnóstico clínico. É importante ressaltar que a ausência de histórico de contato com outros portadores da doença ou a falta de evidência eletroneuromiográfica inicial não excluem a suspeita. A eletroneuromiografia é um exame complementar que pode ser útil, mas não é o primeiro passo diagnóstico. A vacina BCG, embora confira alguma proteção contra formas graves da hanseníase, não é um critério diagnóstico para um caso ativo. O diagnóstico da hanseníase é essencialmente clínico, complementado por baciloscopia em alguns casos.
A hanseníase deve ser suspeitada na presença de manchas (hipocrômicas, avermelhadas ou acastanhadas) com alteração de sensibilidade (dormência, formigamento), espessamento de nervos periféricos e/ou diminuição da força muscular.
O exame físico inclui a inspeção da pele para identificar lesões e a pesquisa da sensibilidade (térmica, dolorosa e tátil) nas manchas e em áreas inervadas pelos nervos periféricos, além da palpação de nervos para identificar espessamento.
Não. Embora o histórico de contato seja um fator de risco importante, a ausência dele não exclui a possibilidade de hanseníase. O diagnóstico é primariamente clínico, baseado nos sinais e sintomas apresentados pelo paciente.
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