FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2024
Durante um período de 3 semanas, várias enfermarias identificam pacientes com infecção sintomática por Clostridioides difficile. Um total de 24 pacientes são afetados com ligações epidemiológicas claras que sugerem transmissão nosocomial. Qual é a melhor opção para encerrar com maior rapidez o surto de C. difficile?
Surto de C. difficile nosocomial → bloqueio de internações em enfermarias afetadas para contenção rápida.
Em surtos de C. difficile com transmissão nosocomial clara, o bloqueio de internações nas áreas afetadas é uma medida drástica, mas eficaz, para interromper rapidamente a cadeia de transmissão e controlar a disseminação do patógeno.
A infecção por Clostridioides difficile (C. difficile) é uma das principais causas de diarreia associada a cuidados de saúde, representando um desafio significativo para o controle de infecções hospitalares. Sua epidemiologia é marcada pela formação de esporos resistentes, que persistem no ambiente e facilitam a transmissão nosocomial. A ocorrência de um surto, definido por um aumento inesperado no número de casos com ligação epidemiológica, exige uma resposta rápida e coordenada para evitar sua propagação. O diagnóstico de infecção por C. difficile baseia-se na detecção da toxina ou do gene da toxina em amostras de fezes de pacientes com diarreia. A suspeita deve surgir em pacientes hospitalizados ou que receberam alta recente, especialmente aqueles em uso de antibióticos. A fisiopatologia envolve a disbiose da microbiota intestinal, permitindo a proliferação do C. difficile e a produção de toxinas que causam inflamação e diarreia. O tratamento envolve a suspensão do antibiótico causador, se possível, e o uso de metronidazol ou vancomicina oral. No contexto de um surto, as medidas de controle são prioritárias e incluem isolamento de contato, higienização rigorosa das mãos (água e sabão), limpeza ambiental com esporicidas e, em situações de transmissão persistente e clara, o bloqueio de internações nas enfermarias afetadas para quebrar a cadeia de transmissão e permitir a desinfecção terminal.
Os principais fatores incluem uso prévio de antibióticos (especialmente de amplo espectro), idade avançada, internação prolongada, comorbidades graves e uso de inibidores de bomba de prótons.
O bloqueio de internações impede a entrada de novos pacientes suscetíveis e a saída de pacientes colonizados ou infectados das áreas afetadas, quebrando a cadeia de transmissão nosocomial e permitindo a desinfecção adequada.
Além do bloqueio, são cruciais a higienização rigorosa das mãos (com água e sabão, pois o álcool gel não é esporicida), limpeza e desinfecção ambiental com produtos esporicidas, isolamento de contato dos pacientes infectados e revisão da política de antimicrobianos.
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