CBO Teórica 1 - Prova de Bases da Oftalmologia — Prova 2015
Em relação à oxigenação da retina:
Coroide supre fotorreceptores (camadas externas) e provê a maior parte do O2 retiniano.
A retina possui suprimento sanguíneo dual: a artéria central da retina irriga as camadas internas, enquanto a coroide supre as camadas externas, mais metabolicamente ativas.
A retina é um tecido neural altamente especializado com demandas energéticas extremas. Sua arquitetura vascular reflete essa necessidade: os capilares retinianos internos possuem junções apertadas (barreira hemato-retiniana interna) para manter o microambiente estável, enquanto a coriocapilar é fenestrada para permitir a passagem livre de nutrientes. A oxigenação é crítica; a hipóxia retiniana é o principal estímulo para a liberação de VEGF (fator de crescimento endotelial vascular), levando à neovascularização patológica em condições como retinopatia diabética e oclusões venosas. Compreender a origem do suprimento sanguíneo é fundamental para entender a patogênese das doenças retinianas e a aplicação de tratamentos como a fotocoagulação a laser.
A maior parte do oxigênio consumido pela retina provém dos vasos da coroide, especificamente da camada coriocapilar. Embora a retina possua sua própria circulação interna via artéria central da retina, esta supre apenas as camadas internas (células ganglionares e plexiformes). As camadas externas, que incluem os fotorreceptores (cones e bastonetes) e o epitélio pigmentado da retina, são avasculares e dependem inteiramente da difusão de oxigênio e nutrientes a partir da coroide.
A vascularização é dual. 1) Sistema da Artéria Central da Retina: ramo da artéria oftálmica (que deriva da carótida interna), entra no nervo óptico e se ramifica para suprir as camadas internas da retina até a camada plexiforme interna. 2) Sistema Coroidiano: derivado das artérias ciliares posteriores, forma a coriocapilar, um leito vascular de alto fluxo e baixa resistência que nutre as camadas externas por difusão através da membrana de Bruch.
A circulação coroidiana possui um dos maiores fluxos sanguíneos por grama de tecido no corpo humano. Esse alto fluxo não serve apenas para nutrição, mas também para a termorregulação do olho e para manter uma alta pressão parcial de oxigênio, facilitando a difusão para os fotorreceptores, que possuem uma das taxas metabólicas mais altas de qualquer célula do organismo. Falhas nesse suprimento estão ligadas a doenças como a degeneração macular relacionada à idade (DMRI).
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