FAMENE - Faculdade de Medicina Nova Esperança (PB) — Prova 2023
Paciente desnutrido foi submetido à cirurgia abdominal de urgência por abdômen agudo perfurativo. Todos os princípios abaixo devem nortear o suporte nutricional no período pós operatório nesse tipo de paciente, exceto:
Transição nutricional: Manter suporte suplementar até 60-75% das calorias via oral/enteral, não 50%.
Em pacientes cirúrgicos desnutridos, a transição do suporte nutricional (parenteral para enteral, ou enteral para oral) deve ser gradual. A nutrição suplementar (parenteral ou enteral) deve ser mantida até que o paciente consiga atingir uma porção substancial (geralmente 60-75%) de suas necessidades calóricas e proteicas pela via preferencial.
O suporte nutricional adequado é um pilar fundamental no manejo de pacientes cirúrgicos, especialmente aqueles desnutridos ou em risco nutricional, como no caso de um abdômen agudo perfurativo. A desnutrição pré-operatória está associada a um aumento significativo da morbidade e mortalidade pós-operatória, incluindo infecções, deiscência de ferida e tempo de internação prolongado. O objetivo do suporte nutricional é otimizar o estado nutricional, promover a cicatrização e modular a resposta inflamatória. A via oral é sempre a preferencial quando o trato gastrointestinal (TGI) está funcional e o paciente é capaz de ingerir quantidades adequadas. Se a ingestão oral for insuficiente ou inviável por um período prolongado (geralmente > 5-7 dias), a nutrição enteral deve ser considerada como primeira escolha, pois mantém a integridade da barreira intestinal, reduz o risco de translocação bacteriana e é mais fisiológica e econômica que a parenteral. A nutrição enteral precoce (nas primeiras 24-48h) é benéfica em pacientes críticos e desnutridos. Quando a via enteral é contraindicada (ex: obstrução intestinal, isquemia mesentérica, fístulas de alto débito) ou não tolerada, a nutrição parenteral total (NPT) torna-se necessária. Em pacientes desnutridos ou com alto risco nutricional, a NPT deve ser iniciada precocemente (24-48h) se a nutrição enteral total não for prevista em 7 dias. A transição entre as vias deve ser gradual, mantendo o suporte suplementar (parenteral ou enteral) até que o paciente atinja pelo menos 60-75% de suas necessidades calóricas e proteicas pela via preferencial.
A nutrição enteral deve ser iniciada precocemente (24-48h pós-operatório) se o paciente não for capaz de atingir a ingestão oral completa em 5-7 dias, ou se for desnutrido e submetido a cirurgia de grande porte, para preservar a função intestinal.
A nutrição parenteral é crucial quando a via enteral é contraindicada, não tolerada ou insuficiente, especialmente em pacientes desnutridos ou com alto risco nutricional, para prevenir complicações e otimizar a recuperação, fornecendo nutrientes essenciais.
A nutrição enteral trófica (ou mínima) envolve a administração de pequenas quantidades de nutrientes por via enteral (10-20 mL/h) para manter a integridade da mucosa intestinal, modular a resposta imune e prevenir atrofia, mesmo quando a nutrição parenteral total está em curso.
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