SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2025
Homem, 65 anos de idade, diagnosticado com câncer de cabeça de pâncreas, está em preparopré-operatório para gastroduodenopancreatectomia com reconstrução em Y de Roux, comproposta curativa. O paciente apresentou grande perda de peso nos últimos três meses. Ao examefísico, regular estado geral, descorado +2/+4, ictérico +3/+4, IMC: 17 kg/m², FC: 64 bpm, PA:122x72 mmHg; ausculta cardíaca e respiratória sem alterações; abdome plano, flácido, RHApresentes, dor à palpação profunda de abdome superior, sem linfonodomegalia palpável.\n\nDiante do caso, com relação às vias de administração da nutrição, é correto o que se afirma em:
Ingesta oral < 60% das necessidades por > 7-10 dias → Indicação de suporte enteral.
O suporte nutricional enteral é indicado quando a via oral é insuficiente para atingir as metas calórico-proteicas, sendo fundamental no preparo de pacientes oncológicos desnutridos.
Pacientes com câncer de cabeça de pâncreas frequentemente apresentam desnutrição grave devido à anorexia, má absorção (insuficiência exócrina) e ao estado catabólico da neoplasia. A gastroduodenopancreatectomia (Cirurgia de Whipple) é um procedimento de grande porte com alta taxa de complicações, tornando o estado nutricional um preditor prognóstico crítico.\n\nA via enteral é sempre preferencial à parenteral ('se o intestino funciona, use-o'), pois mantém a barreira mucosa intestinal e reduz a translocação bacteriana. No pós-operatório, a dieta oral deve ser estimulada precocemente, mas o suporte enteral via sonda (nasoenteral ou jejunostomia) é fundamental se a meta de 60% da demanda não for atingida. A nutrição parenteral fica reservada para casos de falência intestinal ou impossibilidade de acesso enteral.
O suporte nutricional enteral (SNE) está indicado para pacientes que não conseguem atingir pelo menos 60% de suas necessidades calórico-proteicas por via oral por um período superior a 7 a 10 dias. Em pacientes com desnutrição grave (como o caso do paciente com IMC 17 e perda ponderal), o suporte deve ser iniciado precocemente para reduzir complicações pós-operatórias.
A escolha depende da osmolaridade da solução. Nutrições parenterais com osmolaridade superior a 800-900 mOsm/L devem ser administradas obrigatoriamente por via venosa central, devido ao alto risco de flebite e trombose em veias periféricas. Soluções abaixo desse limite podem ser feitas via periférica por curtos períodos.
Não. A terapia nutricional (especialmente a enteral) é contraindicada em pacientes com instabilidade hemodinâmica grave, uso de doses crescentes de aminas vasoativas ou sinais de hipoperfusão tecidual, devido ao risco de isquemia não oclusiva das alças intestinais. O paciente deve estar estabilizado antes do início do suporte.
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