SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2015
Homem de 60 anos, com história de disfagia progressiva de sólidos para líquidos associada a perda de peso de 10 kg em três meses. Alimenta-se com dificuldade, apenas com líquidos, refere regurgitação ocasional e tosse. Hábitos: tabagismo 30 maços/ano. Ao exame: emagrecido (++/4+). TC toracoabdominal mostra estreitamento de esôfago médio de aspecto neoplásico com plano de clivagem com vias aéreas com passagem de contraste para o estômago, sem adenomegalias detectáveis, pulmões de aspecto normal e demais órgãos sem alterações. Aguarda endoscopia para realizar biópsia. HPP: sem intercorrências clínicas. Qual a melhor via de acesso para terapia nutricional para esse paciente?
Disfagia neoplásica esofágica com passagem de contraste para estômago → Sonda nasoenteral é via preferencial de nutrição.
Em pacientes com disfagia grave por neoplasia esofágica, a via enteral é sempre preferível à parenteral. Se houver passagem de contraste para o estômago, mesmo com estreitamento, a sonda nasoenteral (nasogástrica ou nasoenteral) é a opção mais segura e fisiológica, evitando procedimentos invasivos desnecessários antes do estadiamento completo.
O suporte nutricional é um pilar fundamental no manejo de pacientes com câncer de esôfago, especialmente aqueles que apresentam disfagia progressiva e perda de peso significativa. A desnutrição é um fator prognóstico negativo e pode comprometer a tolerância a tratamentos oncológicos. A avaliação nutricional deve ser precoce e contínua, visando manter ou recuperar o estado nutricional do paciente. A escolha da via de acesso para a terapia nutricional é crucial. A via enteral é sempre a preferencial, por ser mais fisiológica e apresentar menor risco de complicações em comparação com a via parenteral. Em casos de disfagia por neoplasia esofágica, a possibilidade de passagem de uma sonda nasoenteral (nasogástrica ou nasoenteral) deve ser avaliada. Se houver permeabilidade esofágica suficiente, como indicado pela passagem de contraste para o estômago, a sonda nasoenteral é a opção mais simples e menos invasiva. A gastrostomia ou jejunostomia são consideradas quando a via nasoenteral não é viável (obstrução completa, fístula) ou para suporte nutricional de longo prazo. A nutrição parenteral total (NPT) é reservada para situações onde o trato gastrointestinal não pode ser utilizado ou está contraindicado, devido aos seus maiores riscos de infecção e complicações metabólicas. A decisão deve ser individualizada, considerando o estadiamento da doença, o plano terapêutico e o estado geral do paciente.
A escolha depende da permeabilidade esofágica, tempo previsto de suporte, risco de aspiração e estadiamento da doença. A via enteral é sempre preferível se possível, por ser mais fisiológica e com menor risco de complicações.
A passagem de contraste para o estômago indica que o lúmen esofágico é suficiente para a passagem de uma sonda nasoenteral, que é menos invasiva e mais rápida de instalar que uma gastrostomia, especialmente antes da definição terapêutica definitiva.
Contraindicações incluem obstrução esofágica completa, fístula traqueoesofágica (não controlada), sangramento ativo e risco elevado de perfuração durante a passagem da sonda. A avaliação cuidadosa é fundamental.
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