AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2025
A parada cardiorrespiratória (PCR) muitas vezes está associada a uma condição reversível, que quando identificada e tratada pode melhorar o prognóstico do atendimento do paciente. Sobre o suporte avançado de vida, analise as afirmativas abaixo: I. Em crianças as paradas cardíacas são mais tipicamente consequência de insuficiência respiratória progressiva ou choque, com assistolia eletrocardiográfica ou atividade elétrica sem pulso. II. Bradicardia associada a comprometimento hemodinâmico, mesmo com pulso palpável, pode ser um prenúncio de parada cardíaca. III. O bicarbonato de sódio pode ser administrado na PCR prolongada. Assinale a alternativa correta:
PCR pediátrica → 1º Hipóxia/Choque (Assistolia/AESP). Bradicardia + instabilidade = iminência de parada.
Em pediatria, a PCR geralmente resulta de falência respiratória ou choque progressivo, manifestando-se como ritmos não chocáveis. O bicarbonato de sódio não é recomendado rotineiramente.
A parada cardiorrespiratória pediátrica é frequentemente o estágio final de uma falência respiratória ou choque circulatório. O Suporte Avançado de Vida em Pediatria (PALS) enfatiza a identificação precoce de sinais de desconforto respiratório e choque para prevenir a PCR. A fisiopatologia envolve hipóxia tecidual progressiva, levando à acidose e falência miocárdica. O manejo foca na ventilação eficaz e oxigenação, além de compressões de alta qualidade. A diferenciação entre ritmos chocáveis e não chocáveis orienta o uso de desfibrilação, mas a adrenalina continua sendo o vasopressor de escolha para ritmos não chocáveis. O prognóstico é significativamente melhor quando a intervenção ocorre na fase de bradicardia sintomática antes da assistolia completa.
Diferente dos adultos, onde os ritmos chocáveis (TV/FV) são frequentes em eventos súbitos, na pediatria a maioria das paradas cardiorrespiratórias é secundária à hipóxia e choque. Por isso, os ritmos mais comuns são a assistolia e a Atividade Elétrica Sem Pulso (AESP). O reconhecimento precoce da deterioração respiratória e hemodinâmica é crucial para evitar a progressão para esses ritmos de parada.
A bradicardia em crianças, especialmente quando associada a sinais de má perfusão sistêmica (alteração do nível de consciência, pulsos débeis, hipotensão), é um sinal de alerta crítico. Se a frequência cardíaca for inferior a 60 bpm com comprometimento hemodinâmico, apesar de oxigenação e ventilação adequadas, deve-se iniciar compressões torácicas, pois a parada cardíaca é iminente.
De acordo com as diretrizes atuais do PALS e ACLS, o uso rotineiro de bicarbonato de sódio durante a ressuscitação cardiopulmonar não é recomendado. Ele pode ser considerado em situações específicas, como hipercalemia documentada, overdose de antidepressivos tricíclicos ou acidose metabólica grave pré-existente. O uso indiscriminado pode causar acidose intracelular paradoxal e desvio da curva de dissociação da hemoglobina.
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