SMS Florianópolis - Secretaria Municipal de Saúde de Florianópolis (SC) — Prova 2023
Márcia traz a filha Luiza de 7 meses para consulta com a sua médica de família, porque está com dificuldade na introdução alimentar e preocupada que a ingestão de vitaminas seja insuficiente. Refere que a filha é muito agitada, não aceita frutas ou legumes, e a sua família tem pressionado para trazê-la em consulta, pois acham a menina muito pálida e menor que as outras crianças da família. Nega demais queixas. Histórico de Luiza: pré-natal e parto vaginal sem intercorrências, idade gestacional 38s+3d, peso 3.540g, Apgar 9-10, teste do pezinho sem alteração, aleitamento materno exclusivo até 6 meses, introdução alimentar aos 6 meses. Acompanhamento de puericultura sem alterações. Na consulta de 6 meses, iniciou suplementação de ferro 1mg/kg/dia. Apresenta exame físico normal, desenvolvimento neuropsicomotor e perímetro cefálico adequados para a idade. Gráfico de acompanhamento: curva de peso-idade 0>Z-escore > -1 e curva estatura-idade 1 > Z-escore > 0. As orientações mais adequadas seriam:
Suplementação profilática de ferro (1mg/kg/dia) é indicada dos 6 aos 24 meses no Brasil para combater anemia.
A suplementação profilática de ferro é uma estratégia fundamental na saúde pública brasileira para prevenir a anemia ferropriva em lactentes e pré-escolares, especialmente considerando a alta prevalência da condição e seus impactos no desenvolvimento. Mesmo com boa antropometria, a prevenção é crucial.
A anemia ferropriva é um dos problemas nutricionais mais prevalentes na infância, com sérias consequências para o desenvolvimento físico e neurocognitivo. No Brasil, a suplementação profilática de ferro é uma estratégia de saúde pública fundamental, implementada para reduzir a incidência dessa condição, especialmente em lactentes e pré-escolares, grupos de alto risco devido às elevadas demandas de crescimento e à baixa ingestão de ferro na dieta. A fisiopatologia da anemia ferropriva envolve a deficiência de ferro, essencial para a síntese de hemoglobina. Em lactentes, a introdução alimentar inadequada e a depleção dos estoques de ferro adquiridos na gestação contribuem para o quadro. O diagnóstico clínico pode ser tardio, pois a palidez é um sinal pouco sensível. Por isso, a prevenção através da suplementação é prioritária, mesmo em crianças com bom desenvolvimento antropométrico. O tratamento e a prevenção da anemia ferropriva na infância baseiam-se na suplementação de ferro e na orientação nutricional. A dose profilática de 1mg/kg/dia é recomendada dos 6 aos 24 meses. É crucial que residentes compreendam a importância dessa medida e saibam orientar as famílias sobre a introdução alimentar adequada, visando garantir a ingestão de nutrientes essenciais e o desenvolvimento saudável da criança.
O Ministério da Saúde recomenda a suplementação profilática de ferro na dose de 1mg/kg/dia para lactentes nascidos a termo, a partir dos 6 meses de idade até os 24 meses, como estratégia de combate à anemia ferropriva.
A suplementação profilática é crucial porque a anemia ferropriva é altamente prevalente na infância e pode ter impactos negativos irreversíveis no desenvolvimento neurocognitivo, mesmo antes de manifestar sinais clínicos claros. A prevenção é mais eficaz que o tratamento.
Os desafios incluem recusa alimentar, seletividade e pressão familiar. É importante oferecer alimentos variados, respeitar a saciedade da criança, criar um ambiente positivo e evitar distrações, além de orientar os pais sobre a importância da persistência e paciência.
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