FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2024
Lactente, sexo masculino, 3 meses de vida, está em consulta ambulatorial de rotina. Tratase de uma criança prematura de 35 semanas e 2 dias de gestação, devido à doença hipertensiva específica da gestação e trabalho de parto prematuro, tendo nascido com peso de 2285 g, adequado para a idade gestacional. A criança nasceu bem, sem necessidade de manobras de reanimação. Nos primeiros dias de vida, apresentou icterícia por incompatibilidade ABO, tendo recebido alta hospitalar no quinto dia de vida. Atualmente, a criança tem estatura de 61 cm e peso de 5170 g (ambos adequados pela idade gestacional corrigida), tendo ganhado 28 g por dia desde a última consulta. Alimenta-se de leite materno complementado com fórmula láctea de partida, tomando 90 mL, 7 vezes ao dia. Nega intercorrências desde o nascimento. Na semana passada, colheu hemograma devido à investigação de febre sem sinais localizatórios, que evoluiu com exantema súbito, e o resultado demonstra Hb 9,8 g/dL, Ht 31,3%, VCM 81,7 fL, RDW 13,8%, com leucócitos e plaquetas sem alterações. Tendo em vista os dados apresentados, sobre o uso de suplementação de ferro para este paciente, está recomendado de acordo com a diretriz mais recente de Sociedade Brasileira de Pediatria:
Prematuros < 37 sem: iniciar ferro profilático aos 30 dias de vida, 2 mg/kg/dia até 1 ano, depois 1 mg/kg/dia até 2 anos.
A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) recomenda a suplementação profilática de ferro para prematuros devido às suas menores reservas de ferro ao nascimento e rápido crescimento. O início e a dose dependem da idade gestacional e peso ao nascer, sendo geralmente aos 30 dias de vida para a maioria dos prematuros.
A anemia ferropriva é uma das deficiências nutricionais mais comuns na infância, com alta prevalência em lactentes, especialmente os prematuros. A questão aborda a importância da suplementação profilática de ferro para este grupo de risco, conforme as diretrizes da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). Prematuros nascem com reservas de ferro significativamente menores do que bebês a termo, pois a maior parte da transferência placentária de ferro ocorre no terceiro trimestre da gestação. Além disso, seu rápido crescimento pós-natal e a expansão do volume sanguíneo aumentam drasticamente a demanda por ferro, tornando-os altamente suscetíveis à anemia ferropriva. A fisiopatologia da anemia do prematuro é multifatorial, envolvendo não apenas as baixas reservas de ferro, mas também a eritropoiese ineficaz, perdas sanguíneas (exames laboratoriais frequentes) e a menor vida útil dos eritrócitos. A suplementação profilática de ferro visa prevenir a depleção dessas reservas e o desenvolvimento da anemia, que pode ter impactos negativos no desenvolvimento neuropsicomotor e na imunidade da criança. As diretrizes da SBP são claras quanto ao início e à dosagem: para prematuros, o ferro deve ser iniciado aos 30 dias de vida (ou na alta, se posterior) na dose de 2 mg/kg/dia até 1 ano de idade cronológica, e então 1 mg/kg/dia até 2 anos. É crucial para o pediatra e o residente conhecer essas recomendações para garantir um desenvolvimento saudável. A avaliação laboratorial periódica, como o hemograma, é importante para monitorar a resposta e ajustar a dose, se necessário. A questão ressalta a importância de não atrasar o início da suplementação e de seguir as doses preconizadas, mesmo que a criança esteja recebendo fórmula láctea enriquecida em ferro, pois a quantidade de ferro na fórmula pode não ser suficiente para cobrir as necessidades elevadas do prematuro.
Para a maioria dos prematuros (nascidos com < 37 semanas), a suplementação profilática de ferro deve ser iniciada aos 30 dias de vida ou na alta hospitalar, se esta ocorrer após os 30 dias.
Para prematuros, a dose profilática é de 2 mg/kg/dia até 1 ano de idade cronológica, e então 1 mg/kg/dia até completar 2 anos de idade cronológica. Para prematuros de muito baixo peso (<1500g) ou extremos (<1000g), as doses podem ser maiores.
Prematuros nascem com menores reservas de ferro devido à interrupção precoce da transferência placentária, que ocorre principalmente no terceiro trimestre. Além disso, apresentam um rápido crescimento pós-natal, o que aumenta a demanda por ferro para a eritropoiese e o desenvolvimento.
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