FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2026
Um lactente de 20 dias de vida, nascido pré-termo tardio (36 semanas e 5 dias), com peso de nascimento de 2.200 g, foi levado para consulta de rotina. Com base nesse caso clínico hipotético, assinale a opção que apresenta a conduta adequada em relação à suplementação medicamentosa profilática de ferro.
RN < 2500g ou prematuro → 2mg/kg/dia de ferro elementar a partir do 30º dia de vida.
Lactentes prematuros ou com baixo peso (<2500g) possuem menores estoques de ferro e crescimento acelerado, exigindo 2mg/kg/dia a partir de 30 dias de vida.
A deficiência de ferro é a carência nutricional mais comum na infância, com impacto direto no neurodesenvolvimento. Recém-nascidos prematuros e de baixo peso (< 2500g) perdem o período de maior transferência placentária de ferro, que ocorre no terceiro trimestre, resultando em estoques exíguos ao nascimento. A conduta de suplementar 2 mg/kg/dia a partir de 30 dias de vida visa prevenir a anemia ferropriva precoce e garantir substrato para a mielinização e síntese de neurotransmissores.
Para prematuros com peso entre 1000g e 1500g, a recomendação da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) é mais agressiva do que para os de maior peso. Nesses casos, deve-se prescrever 3 mg/kg/dia de ferro elementar, iniciando-se também aos 30 dias de vida. Se o peso for inferior a 1000g, a dose sobe para 4 mg/kg/dia. Essa gradação é necessária porque quanto menor o peso ao nascer, menores são os estoques hepáticos de ferro e maior é a velocidade de crescimento pós-natal, o que aumenta drasticamente a demanda por esse micronutriente para a síntese de hemoglobina e desenvolvimento neurológico.
Para o recém-nascido a termo, com peso adequado ao nascer (>2500g) e em aleitamento materno exclusivo, a suplementação profilática de ferro deve ser iniciada aos 6 meses de vida (1 mg/kg/dia). No entanto, se o lactente não estiver em aleitamento materno exclusivo ou apresentar fatores de risco, a SBP recomenda o início aos 3 meses de vida. É fundamental diferenciar esse grupo dos prematuros e bebês de baixo peso, que iniciam sempre aos 30 dias de vida com doses maiores (2 a 4 mg/kg/dia) devido à vulnerabilidade biológica aumentada para anemia ferropriva.
A suplementação profilática de ferro deve ser mantida, de forma geral, até o final do segundo ano de vida (24 meses). Este período compreende os 'primeiros mil dias', uma janela crítica de desenvolvimento onde a deficiência de ferro pode causar prejuízos cognitivos e motores irreversíveis. Mesmo com a introdução alimentar adequada após os 6 meses, a biodisponibilidade do ferro na dieta mista pode não ser suficiente para suprir as necessidades de expansão da massa eritrocitária e crescimento tecidual, justificando a manutenção da profilaxia conforme as normas do Ministério da Saúde e SBP.
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