Santa Casa de Belo Horizonte (MG) — Prova 2023
Paciente 38 anos, solteira, do lar, gravidez não planejada, comparece ao pré-natal informando gestação de 24 semanas. Está assintomática e apresenta exames realizados há 1 semana: GS AB negativo, teste de Coombs indireto negativo, glicemia de jejum 85mg/dL, hemoglobina 11,6g/dL, sorologia para toxoplasmose IgG positivo e IgM negativo, teste HIV 1 e 2 negativo, HbsAg não reator, anti Hbs positivo, VDRL não reator, urocultura positiva, acima de 100.000 unidades formadoras de E.Coli. A respeito dessa consulta, é CORRETO afirmar que:
Anemia leve na gestação (Hb 11,6 g/dL no 2º trimestre) → profilaxia com 30-60mg de ferro elementar/dia.
A hemoglobina de 11,6 g/dL no segundo trimestre está no limite inferior da normalidade (>11 g/dL), justificando a manutenção da suplementação profilática de ferro. A bacteriúria assintomática deve ser tratada na gestação, mas sulfametoxazol + trimetoprima é contraindicado no 1º e 3º trimestres. O anti-HBs positivo indica imunidade à hepatite B.
O pré-natal é um período crucial para a saúde materno-fetal, com a realização de exames de rotina que permitem identificar e intervir precocemente em condições que podem afetar a gestação. A interpretação correta desses exames é essencial para garantir um acompanhamento adequado e prevenir complicações. A anemia ferropriva é uma das deficiências nutricionais mais comuns na gravidez, e sua prevenção e tratamento são pilares do cuidado pré-natal. A suplementação de ferro elementar é fundamental, mesmo em casos de hemoglobina no limite inferior da normalidade, devido ao aumento das demandas fisiológicas. A vigilância para infecções é outro ponto chave. A bacteriúria assintomática, por exemplo, é uma condição que, se não tratada, pode evoluir para infecções do trato urinário mais graves, como a pielonefrite, com sérias consequências para a gestante e o feto. A sorologia para hepatite B e toxoplasmose, assim como a tipagem sanguínea e o Coombs indireto, fornecem informações vitais sobre o status imunológico da mãe e o risco de incompatibilidade Rh, orientando condutas específicas como a profilaxia com imunoglobulina anti-D ou o acompanhamento do recém-nascido. Dominar a interpretação desses resultados e as condutas associadas é indispensável para o residente, pois permite um manejo seguro e eficaz da gestante. A atenção aos detalhes e a aplicação das diretrizes clínicas são cruciais para otimizar os desfechos maternos e perinatais, garantindo uma gestação saudável e minimizando riscos potenciais.
A dose recomendada para profilaxia de anemia ferropriva na gravidez é de 30 a 60 mg de ferro elementar por dia. Em casos de anemia já estabelecida, a dose terapêutica é maior, geralmente 120 a 200 mg de ferro elementar por dia.
Anti-HBs positivo e HbsAg não reator indicam imunidade à hepatite B, seja por vacinação prévia ou por infecção passada resolvida. Nesses casos, a gestante não precisa de vacinação e não é portadora crônica do vírus.
A bacteriúria assintomática deve ser sempre tratada na gestação devido ao risco aumentado de pielonefrite, parto prematuro e baixo peso ao nascer. Antibióticos como nitrofurantoína ou cefalexina são opções seguras, evitando sulfametoxazol + trimetoprima no primeiro e terceiro trimestres.
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