PSU-AL - Processo Seletivo Unificado de Alagoas — Prova 2024
Homem, 77 anos de idade, portador de hipertensão arterial sistêmica, diabetes mellitus tipo 2, ansiedade e depressão, está sob tratamento farmacológico com múltiplas medicações, incluindo anti-hipertensivos (losartana e amlodipina) diurético (furosemida), hipoglicemiante orais (glibenclamida, metformina,dapaglifozina), ansiolítico (alprazolan) e antidepressivo (venlafaxina). O paciente mantém boa funcionalidade e cognição mas, durante uma consulta de rotina na Unidade Básica de Saúde, relata fadiga constante, fraqueza muscular, câimbras, dificuldade de deambular, perda de concentração e episódios ocasionais de tontura.Entre as medicações comumente prescritas em regime ambulatorial para diabetes mellitus tipo 2, indique a que aumenta o risco de hipoglicemia em idosos como esse, especialmente quando usada em conjunto com outros hipoglicemiantes:
Glibenclamida em idosos → ↑ risco de hipoglicemia grave e prolongada (evitar!).
A glibenclamida é uma sulfonilureia de longa duração com metabólitos ativos de excreção renal, o que predispõe idosos a episódios de hipoglicemia severa e persistente.
O manejo do Diabetes Mellitus tipo 2 no idoso exige uma abordagem individualizada, priorizando a segurança e a prevenção de iatrogenias. Os Critérios de Beers e o Consenso Brasileiro de Medicamentos Inapropriados para Idosos listam a glibenclamida como uma droga a ser evitada. A fragilidade, as múltiplas comorbidades e a polifarmácia (como visto no caso clínico com losartana, furosemida e venlafaxina) aumentam a vulnerabilidade a eventos adversos. A hipoglicemia em idosos está associada a um aumento significativo na mortalidade cardiovascular, declínio cognitivo acelerado e fraturas por quedas. Portanto, a escolha do regime terapêutico deve focar em drogas que não causem secreção insulínica independente da glicemia, garantindo um controle glicêmico que preserve a funcionalidade e a qualidade de vida do paciente geriátrico.
A glibenclamida possui uma meia-vida longa e metabólitos ativos que dependem da função renal para serem eliminados. Como idosos frequentemente apresentam declínio da taxa de filtração glomerular, a droga se acumula, causando estímulo excessivo às células beta pancreáticas e resultando em hipoglicemia prolongada, muitas vezes difícil de reverter apenas com glicose oral.
Diferente dos jovens, os idosos podem não apresentar sintomas adrenérgicos clássicos (sudorese, taquicardia). A hipoglicemia pode se manifestar como sintomas neuroglicopênicos atípicos: confusão mental aguda, tontura, fraqueza, quedas, alterações de comportamento ou até episódios que mimetizam um AVC (déficits focais transitórios).
Preferem-se fármacos com baixo risco de hipoglicemia, como a Metformina (se TFG > 30), Inibidores de DPP-4 (gliptinas) ou Inibidores de SGLT2 (gliflozinas). Se o uso de sulfonilureia for estritamente necessário por questões de custo, deve-se optar por agentes de curta duração e menor risco, como a Gliclazida de liberação modificada (MR).
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