CEOQ - Centro Especializado Oftalmológico Queiroz (BA) — Prova 2020
Gestante dá entrada na maternidade com quadro de trabalho de parto prematuro. Iniciada a tocólise, após 3 horas de medicação, passa a apresentar depressão respiratória e diminuição do reflexo patelar. A droga que provavelmente foi utilizada como tocolítico nesse caso é:
Sulfato de Magnésio tocolítico → Intoxicação: ↓ reflexo patelar, ↓ FR, ↓ débito urinário.
O sulfato de magnésio é um tocolítico eficaz, mas seu uso requer monitoramento rigoroso devido ao risco de intoxicação. A diminuição do reflexo patelar é um dos primeiros sinais de hipermagnesemia, que pode progredir para depressão respiratória e parada cardíaca se não for tratada. O antídoto é o gluconato de cálcio.
O trabalho de parto prematuro, definido como o parto antes de 37 semanas de gestação, é uma das principais causas de morbimortalidade neonatal. A tocólise, que visa inibir as contrações uterinas, é uma estratégia importante para prolongar a gestação e permitir a administração de corticosteroides para maturação pulmonar fetal e, se necessário, a transferência da paciente para um centro de referência. O sulfato de magnésio é amplamente utilizado não apenas como tocolítico, mas também para neuroproteção fetal em casos de parto prematuro iminente. Seu mecanismo de ação envolve a inibição da entrada de cálcio nas células miometriais, reduzindo a contratilidade uterina. No entanto, sua janela terapêutica é estreita, e a hipermagnesemia pode levar a efeitos adversos graves. A monitorização da paciente em uso de sulfato de magnésio é fundamental. A avaliação dos reflexos patelares, frequência respiratória e débito urinário deve ser contínua. A diminuição ou ausência dos reflexos patelares é um sinal precoce de toxicidade, enquanto a depressão respiratória e a parada cardíaca representam complicações mais graves. O gluconato de cálcio é o antídoto específico e deve estar prontamente disponível. O conhecimento desses sinais e da conduta adequada é essencial para a segurança materno-fetal.
Além da intoxicação, que se manifesta por diminuição dos reflexos tendinosos profundos, depressão respiratória e hipotensão, o sulfato de magnésio pode causar rubor facial, náuseas, vômitos e cefaleia. É crucial monitorar os níveis séricos de magnésio e a função renal.
A conduta inicial é interromper imediatamente a infusão de sulfato de magnésio. Se houver depressão respiratória ou arritmias cardíacas, deve-se administrar gluconato de cálcio intravenoso como antídoto, além de suporte ventilatório se necessário.
Outros tocolíticos incluem betamiméticos (como a terbutalina, com muitos efeitos colaterais), bloqueadores dos canais de cálcio (como a nifedipina, com menos efeitos maternos graves) e antagonistas do receptor de ocitocina (como o atosiban).
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