HOS/BOS - Hospital Oftalmológico de Sorocaba - Banco de Olhos (SP) — Prova 2020
Homem, 32 anos, é portador de doença de Crohn e faz uso de sulfassalazina há 4 anos. Cursou com melhora do quadro intestinal logo no início do tratamento, sem apresentar agudizações ou crises. Há seis meses, apresenta queda do estado geral, referindo diarreias frequentes, duas pneumonias bacterianas com má resposta à antibioticoterapia convencional e três episódios de sinusite associados à otite média aguda. O desencadeamento dos quadros infecciosos se deve, mais provavelmente:
Sulfassalazina → hipogamaglobulinemia → infecções bacterianas recorrentes.
A sulfassalazina, usada no tratamento da doença de Crohn, pode induzir hipogamaglobulinemia, uma deficiência de anticorpos que predispõe a infecções bacterianas recorrentes, como pneumonias, sinusites e otites, mesmo com controle da doença de base.
A sulfassalazina é um medicamento amplamente utilizado no tratamento de doenças inflamatórias intestinais, como a doença de Crohn e a retocolite ulcerativa, e também em algumas doenças reumatológicas. Sua eficácia está ligada à sua ação anti-inflamatória local no intestino. É crucial que o residente esteja ciente dos potenciais efeitos adversos sistêmicos, mesmo em pacientes com bom controle da doença de base. A hipogamaglobulinemia é uma complicação rara, mas grave, da terapia com sulfassalazina, caracterizada pela deficiência de imunoglobulinas, principalmente IgG. Essa deficiência compromete a resposta imune humoral, tornando o paciente suscetível a infecções bacterianas recorrentes, especialmente as do trato respiratório e otites. O diagnóstico é feito pela dosagem sérica das imunoglobulinas. O manejo envolve a suspensão da sulfassalazina e, em casos graves ou persistentes, a reposição de imunoglobulina intravenosa. É fundamental monitorar os pacientes em uso prolongado para sinais de infecção e considerar a dosagem de imunoglobulinas em casos de infecções recorrentes inexplicadas.
Os sinais incluem infecções bacterianas recorrentes, como pneumonias, sinusites, otites e diarreias, com má resposta à antibioticoterapia convencional.
O mecanismo exato não é totalmente compreendido, mas acredita-se que a sulfassalazina possa interferir na síntese ou catabolismo das imunoglobulinas, levando à sua deficiência.
A imunossupressão da doença de Crohn geralmente está associada à atividade da doença, enquanto a induzida por sulfassalazina pode ocorrer mesmo com a doença controlada, como no caso clínico.
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