CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2009
A respeito das substâncias viscoelásticas, podemos afirmar:
Coesivos (cadeia longa) mantêm espaço e empurram diafragma; Dispersivos (cadeia curta) protegem endotélio.
Viscoelásticos coesivos possuem alta viscosidade e coesão, sendo ideais para criar espaço e estabilizar o diafragma iridocristaliniano, facilitando a capsulorrexe.
As substâncias viscoelásticas (OVDs) revolucionaram a cirurgia de catarata moderna. Elas são classificadas com base em suas propriedades reológicas, como viscosidade, elasticidade e pseudoplasticidade. O conhecimento dessas propriedades permite ao cirurgião escolher o agente ideal para cada etapa: coesivos para manobras de espaço e dispersivos para proteção tecidual contra energia ultrassônica. A metilcelulose, citada em alternativas, é um exemplo de dispersivo com baixa tensão superficial, o que contradiz a afirmação de alta tensão. A técnica de 'soft shell', que combina ambos os tipos, exemplifica a aplicação prática desses conceitos para maximizar a segurança endotelial e a estabilidade cirúrgica.
Os viscoelásticos coesivos possuem cadeias moleculares longas e alta tensão superficial, o que os faz agir como uma massa única, excelente para manter espaços e estabilizar tecidos, mas são facilmente aspirados. Já os dispersivos possuem cadeias curtas e baixa tensão superficial, permitindo que se espalhem e 'cubram' o endotélio corneano, protegendo-o durante a facoemulsificação, porém são mais difíceis de remover completamente da câmara anterior.
Devido à sua alta viscosidade sob baixa taxa de cisalhamento, os agentes coesivos conseguem aplanar a cápsula anterior do cristalino e empurrar o diafragma iridocristaliniano para trás. Isso neutraliza a pressão vítrea positiva, criando um ambiente estável e controlado para a realização da abertura circular da cápsula (capsulorrexe), reduzindo o risco de escape radial da incisão.
Sim, a remoção completa é fundamental, especialmente dos agentes coesivos. Se permanecerem no olho, podem obstruir mecanicamente o trabeculado, levando a picos pressóricos intraoculares graves (hipertensão ocular pós-operatória) nas primeiras 24 horas. Mesmo os dispersivos, embora mais difíceis de aspirar, devem ser removidos o máximo possível para evitar complicações glaucomatosas agudas.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo