Suboclusão Intestinal por Áscaris: Diagnóstico e Manejo

HPEV - Hospital Professor Edmundo Vasconcelos (SP) — Prova 2021

Enunciado

Pré-escolar no pronto atendimento com queda do estado geral, dor abdominal em cólica e vômitos eventuais. Ao exame físico: abdome distendido, peristalse exacerbada e massa abdominal arredondada, irregular, em hipocôndrio direito. Mãe refere ter feito tratamento com mebendazol por 3 dias, há 15 dias, orientada pelo pediatra da unidade básica de saúde, pois a criança apresentava dor abdominal recorrente. Diante do quadro apresentado, é correto afirmar que se trata de:

Alternativas

  1. A) Suboclusão intestinal por áscaris. Jejum, hidratação venosa e óleo mineral, por via oral, deve ser o tratamento clínico por 48 a 72 horas.
  2. B) Suboclusão intestinal por áscaris Jejum, hidratação venosa, mebendazol e óleo mineral, por via oral, deve ser o tratamento clínico por 24 horas.
  3. C) Abdome agudo por invaginação intestinal; a massa palpável em hipocôndrio e a faixa etária apoiam o diagnóstico, sendo indicado tratamento cirúrgico.
  4. D) Abdome agudo por invaginação intestinal; deve ser indicado ultrassonografia abdominal e tratamento clínico, com manobras para redução da invaginação.

Pérola Clínica

Suboclusão por áscaris → massa abdominal palpável + dor cólica + vômitos. Tto: Jejum, hidratação, óleo mineral.

Resumo-Chave

A suboclusão intestinal por áscaris é uma complicação grave da ascaridíase, especialmente após tratamento prévio que pode levar à migração e aglomeração dos vermes. A massa palpável em hipocôndrio direito, associada à dor abdominal e vômitos, é um achado clássico. O tratamento inicial é clínico, visando desimpactar a massa de vermes.

Contexto Educacional

A ascaridíase é uma das parasitoses intestinais mais comuns, especialmente em regiões com saneamento básico deficiente. Embora geralmente assintomática ou com sintomas leves, pode levar a complicações graves como a suboclusão ou obstrução intestinal, particularmente em crianças. A história de dor abdominal recorrente e tratamento prévio com anti-helmínticos, como o mebendazol, é um dado crucial, pois a morte e aglomeração dos vermes podem precipitar o quadro obstrutivo. O diagnóstico da suboclusão intestinal por áscaris é clínico, baseado na tríade de dor abdominal em cólica, vômitos e a palpação de uma massa abdominal móvel e irregular, que representa o bolo de áscaris. Exames de imagem, como ultrassonografia abdominal, podem confirmar a presença dos vermes. É fundamental diferenciar de outras causas de abdome agudo em crianças, como a invaginação intestinal, que pode ter apresentação semelhante, mas exige conduta diferente. O manejo inicial é conservador, com jejum, hidratação venosa e uso de óleo mineral por via oral para facilitar a passagem do bolo de vermes. A cirurgia é reservada para casos de falha do tratamento clínico, obstrução completa ou complicações como perfuração intestinal. O acompanhamento rigoroso é essencial para monitorar a evolução e evitar a progressão para um quadro de abdome agudo cirúrgico.

Perguntas Frequentes

Quais os sinais clínicos de suboclusão intestinal por áscaris em crianças?

Os sinais incluem dor abdominal em cólica, vômitos, distensão abdominal, peristalse exacerbada e, classicamente, uma massa abdominal palpável, irregular, geralmente em hipocôndrio direito.

Qual o tratamento inicial para suboclusão intestinal por áscaris?

O tratamento inicial é clínico, com jejum, hidratação venosa e administração de óleo mineral por via oral, geralmente por 48 a 72 horas, para auxiliar na desimpactação dos vermes.

Por que o tratamento com mebendazol pode precipitar a suboclusão por áscaris?

O mebendazol pode causar a migração e aglomeração dos vermes no intestino, especialmente se houver uma carga parasitária alta, levando à formação de um bolo de áscaris que pode obstruir o lúmen intestinal.

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