Suboclusão Intestinal por Aderências: Diagnóstico e Manejo

UFES/HUCAM - Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes - Vitória (ES) — Prova 2021

Enunciado

Paciente masculino, 55 anos, com história prévia de laparotomia mediana infra umbilical há 20 anos devido apendicite aguda. Deu entrada no Pronto Socorro com quadro de parada de eliminação de fezes há 04 dias, com eliminação de flatos presentes. Ao exame físico foi observado abdome com hipertimpanismo discreto, sem sinais de irritação peritoneal ou herniações de parede abdominal. Radiografia de abdome mostra distensão leve de intestino delgado difusamente, sem níveis hidroaéreos ou pneumoperitôneo. Foi optado por tomografia de abdome com contraste oral que evidenciou distensão discreta de alças de delgado, sem fatores obstrutivas ou perfurativos evidentes, sem sinais de sofrimento intestinal, com contraste chegando até o jejuno. Diante do quadro clínico, qual a principal hipótese diagnóstica?

Alternativas

  1. A) Suboclusão intestinal por aderências.
  2. B) Oclusão intestinal metabólica.
  3. C) Hérnia inguinal encarcerada.
  4. D) Apendicite aguda.

Pérola Clínica

Laparotomia prévia + sintomas obstrutivos parciais + flatos presentes → Suboclusão intestinal por aderências.

Resumo-Chave

A história de cirurgia abdominal prévia é o principal fator de risco para formação de aderências, que podem causar quadros de suboclusão ou oclusão intestinal. A presença de flatos e a ausência de níveis hidroaéreos clássicos sugerem um quadro parcial ou suboclusivo.

Contexto Educacional

A suboclusão intestinal por aderências é uma condição comum na prática clínica, especialmente em pacientes com histórico de cirurgia abdominal prévia. As aderências, ou bridas, são bandas de tecido fibroso que se formam após trauma cirúrgico, inflamação ou infecção, podendo causar compressão ou angulação das alças intestinais. É fundamental reconhecer que, ao contrário da oclusão completa, na suboclusão ainda há alguma passagem de conteúdo intestinal, manifestada pela eliminação de flatos ou fezes. O diagnóstico baseia-se na história clínica, exame físico e exames de imagem. A radiografia de abdome pode mostrar distensão de alças de delgado, mas sem os níveis hidroaéreos clássicos de uma obstrução completa. A tomografia computadorizada com contraste oral é o exame de escolha, pois permite visualizar a distensão das alças, a presença de aderências e, crucialmente, a progressão parcial do contraste, confirmando o caráter suboclusivo e excluindo outras causas. O manejo inicial da suboclusão intestinal por aderências é frequentemente conservador, com jejum, hidratação venosa, sonda nasogástrica para descompressão (se houver vômitos ou distensão significativa) e analgesia. A maioria dos casos resolve-se espontaneamente. A intervenção cirúrgica é reservada para falha do tratamento conservador, sinais de sofrimento de alça ou progressão para oclusão completa.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas de suboclusão intestinal por aderências?

Os sinais incluem dor abdominal tipo cólica, distensão abdominal, náuseas e vômitos, mas com a particularidade de eliminação de flatos e/ou fezes, indicando obstrução parcial.

Como a história de laparotomia prévia se relaciona com a suboclusão intestinal?

A laparotomia prévia é o principal fator de risco para a formação de aderências (bridas) intra-abdominais, que podem estrangular ou comprimir alças intestinais, levando à obstrução ou suboclusão.

Qual o papel da tomografia de abdome no diagnóstico da suboclusão intestinal?

A tomografia com contraste oral é crucial para identificar o ponto de transição, a causa da obstrução (como aderências) e avaliar sinais de sofrimento de alça, diferenciando suboclusão de oclusão completa e outras causas.

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