FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2022
Uma senhora de 54 anos, atendida em um Hospital Secundário, queixa-se de dor abdominal difusa há quatro dias, associado a episódios de náuseas e vômitos de coloração escura e odor fétido. Informa que já passou por cinco procedimentos cirúrgicos abdominais, sendo o último há dois anos. O exame físico revela uma distensão abdominal difusa, percussão timpânica, mas sem sinais de irritação peritoneal. Realizado radiografia abdominal com ""níveis hidroaéreos e empilhamento em moeda"" em alças intestinais de delgado e presença de ""ar"" em reto baixo. Não há pneumoperitônio. O médico assistente faz o diagnóstico de suboclusão intestinal e resolve tratar clinicamente nas primeiras 24 horas. Qual conduta abaixo deveria ser evitada para esta senhora?
Em suboclusão intestinal, pró-cinéticos e Fleet Enema são contraindicados, pois podem agravar a distensão e o risco de perfuração.
A suboclusão intestinal, frequentemente causada por aderências pós-cirúrgicas, é inicialmente manejada clinicamente com descompressão, hidratação e correção eletrolítica. Medicamentos que aumentam o peristaltismo ou enemas podem piorar a condição ao forçar o trânsito contra uma obstrução parcial.
A suboclusão intestinal é uma condição comum, frequentemente decorrente de aderências pós-cirúrgicas, que causa um impedimento parcial ao fluxo do conteúdo intestinal. É crucial diferenciá-la da oclusão completa, que geralmente requer intervenção cirúrgica mais urgente. Pacientes com histórico de múltiplas cirurgias abdominais têm maior risco. O reconhecimento precoce e o manejo adequado são fundamentais para evitar complicações graves como isquemia e perfuração intestinal. A fisiopatologia da suboclusão envolve a formação de aderências fibrosas que podem estrangular ou torcer alças intestinais, dificultando a progressão do quimo. Os sintomas resultam do acúmulo de líquidos e gases a montante da obstrução. O diagnóstico é clínico, com suporte de exames de imagem como a radiografia abdominal (mostrando níveis hidroaéreos e empilhamento em moeda) e tomografia computadorizada, que pode identificar o ponto de transição e a causa. O tratamento inicial da suboclusão intestinal é geralmente clínico, visando a descompressão do trato gastrointestinal, hidratação e correção de distúrbios eletrolíticos. A sonda nasogástrica é essencial para aliviar a distensão e os vômitos. É imperativo evitar condutas que possam agravar a situação, como o uso de pró-cinéticos ou enemas, que podem aumentar a pressão intraluminal e o risco de perfuração. A observação rigorosa é necessária para identificar sinais de piora que indiquem a necessidade de intervenção cirúrgica.
Os sintomas incluem dor abdominal difusa e cólica, náuseas, vômitos (que podem ser biliosos ou fecaloides), distensão abdominal e alteração do hábito intestinal. O exame físico pode revelar timpanismo e ruídos hidroaéreos aumentados ou diminuídos.
A conduta inicial envolve hidratação venosa, analgesia, descompressão do trato gastrointestinal com sonda nasogástrica, correção de distúrbios eletrolíticos e observação clínica rigorosa com exames físicos seriados.
Pró-cinéticos e enemas são contraindicados porque, ao estimular o peristaltismo ou aumentar o volume intraluminal contra uma obstrução parcial, podem elevar a pressão dentro do intestino, aumentando o risco de isquemia, necrose e perfuração da alça intestinal.
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