Suboclusão Intestinal por Membrana Duodenal: Diagnóstico em Lactentes

IFF/Fiocruz - Instituto Fernandes Figueira (RJ) — Prova 2024

Enunciado

Lactente de 6 meses, tem história de episódios de vômitos após introdução de fórmula láctea espessada aos 5 meses, que cessaram após retorno de aleitamento materno. Após introdução alimentar, evoluiu com quadro de sucessivos vômitos por 2 dias e distensão abdominal importante. Nega febre, diarreia ou sangramentos. RX de abdome: A hipótese mais provável é:

Alternativas

  1. A) estenose de piloro;
  2. B) suboclusão intestinal por membrana duodenal;
  3. C) intussuscepção intestinal;
  4. D) aganglionose colônica;
  5. E) ileo metabólico

Pérola Clínica

Lactente 6m, vômitos e distensão após introdução alimentar/fórmula → suspeitar suboclusão por membrana duodenal.

Resumo-Chave

Em um lactente de 6 meses com história de vômitos e distensão abdominal após a introdução de alimentos mais consistentes (fórmula espessada ou introdução alimentar), a hipótese de suboclusão intestinal por membrana duodenal é provável. Essa condição congênita pode causar obstrução parcial, cujos sintomas se tornam mais evidentes quando a dieta se torna mais complexa e exige maior peristaltismo para a passagem do bolo alimentar.

Contexto Educacional

A suboclusão intestinal por membrana duodenal é uma causa congênita de obstrução gastrointestinal que pode se manifestar em lactentes. Embora algumas formas de atresia ou estenose duodenal sejam diagnosticadas no período neonatal com vômitos biliosos e distensão abdominal, uma membrana duodenal incompleta ou fenestrada pode causar uma obstrução parcial, cujos sintomas se tornam mais evidentes ou se agravam com a introdução de dietas mais complexas, como fórmulas espessadas ou alimentos sólidos. Os sintomas típicos incluem vômitos recorrentes, que podem ser não biliosos se a obstrução for proximal à ampola de Vater, ou biliosos se for distal. A distensão abdominal é comum, e o lactente pode apresentar irritabilidade e dificuldade no ganho de peso. A história de melhora com aleitamento materno exclusivo e piora com a introdução de outros alimentos é um forte indício de que a consistência do alimento está influenciando a passagem pelo trato gastrointestinal. O diagnóstico é frequentemente sugerido por radiografias de abdome (sinal da 'dupla bolha' em atresia completa, mas em suboclusão pode ser menos evidente) e confirmado por estudos contrastados do trato gastrointestinal superior, que demonstram a dilatação proximal e a estenose no duodeno. O tratamento é cirúrgico, envolvendo a ressecção da membrana ou a realização de uma duodenoduodenostomia. A suspeita precoce é crucial para evitar complicações como desidratação, desnutrição e perfuração intestinal.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais de suboclusão intestinal em lactentes?

Os principais sinais incluem vômitos recorrentes (que podem ser biliosos ou não), distensão abdominal, dor abdominal, irritabilidade e, em casos mais graves, desidratação e falha de crescimento. Os sintomas podem ser intermitentes ou piorar com a ingestão de alimentos mais sólidos.

Como a membrana duodenal causa suboclusão intestinal?

A membrana duodenal é uma anomalia congênita em que uma dobra de tecido se forma dentro do lúmen do duodeno, causando uma obstrução parcial. Essa obstrução pode se tornar sintomática ou agravar-se quando o bebê começa a ingerir alimentos mais consistentes, que têm maior dificuldade em passar pela abertura restrita.

Qual a diferença entre estenose de piloro e membrana duodenal?

A estenose de piloro geralmente se manifesta mais cedo (2-8 semanas de vida) com vômitos em jato não biliosos e massa palpável no epigástrio. A membrana duodenal pode ter apresentação mais tardia e sintomas mais intermitentes de suboclusão, com vômitos que podem ser biliosos se a obstrução for distal à ampola de Vater.

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