CBO Teórico-Prática - Prova de Imagens da Oftalmologia — Prova 2019
Considere a complicação do pós-operatório de cirurgia de catarata a seguir. Qual das alternativas é correta?
Complicação tardia da catarata → Deslocamento da LIO pode ocorrer por fragilidade zonular ou contração capsular excessiva.
A subluxação ou deslocamento da lente intraocular (LIO) é uma complicação que pode ocorrer precocemente por trauma cirúrgico ou tardiamente por condições que enfraquecem as zônulas, como a pseudoesfoliação.
A cirurgia de catarata moderna, via facoemulsificação com implante de LIO, possui altas taxas de sucesso, mas não é isenta de riscos a longo prazo. A estabilidade da lente depende inteiramente da integridade do saco capsular e do suporte zonular. Quando ocorre uma subluxação, o paciente pode queixar-se de baixa acuidade visual, diplopia monocular ou percepção da borda da lente (pseudofacodonese). O manejo da LIO subluxada varia desde a observação em casos leves e estáveis até a reintervenção cirúrgica. As opções cirúrgicas incluem o reposicionamento da LIO com suturas esclerais ou transiridiana, ou a troca da lente por uma LIO de câmara anterior ou fixação escleral. A prevenção passa por uma técnica cirúrgica meticulosa, uso de anéis de expansão capsular em pacientes com fragilidade zonular conhecida e limpeza rigorosa das células epiteliais subcapsulares durante a cirurgia primária.
O deslocamento da LIO pode ocorrer por fatores intraoperatórios, como ruptura da cápsula posterior ou diálise zonular não identificada, ou por fatores tardios. A causa tardia mais comum é a síndrome de pseudoesfoliação, que provoca uma fragilidade progressiva das zônulas de Zinn. Outras causas incluem trauma ocular, alta miopia, cirurgias vitreorretinianas prévias e doenças do tecido conjuntivo (como Marfan). A contração fibrótica do saco capsular (fimose capsular) também pode exercer tração centrípeta suficiente para romper zônulas já fragilizadas, deslocando o complexo saco-LIO.
O Anel de Soemmering é uma complicação morfológica onde células epiteliais remanescentes do cristalino proliferam e se acumulam na periferia do saco capsular, entre as cápsulas anterior e posterior. Isso forma uma estrutura em forma de 'rosca' ou anel de material cortical e células. Embora muitas vezes assintomático, um anel de Soemmering volumoso pode causar deslocamento da LIO, induzir inflamação crônica ou dificultar a visualização da periferia da retina. É comum em casos de trauma ou cirurgias de catarata pediátrica onde a limpeza cortical é mais desafiadora.
A OCP, popularmente chamada de 'segunda catarata', é a complicação tardia mais frequente e ocorre pela migração e metaplasia de células epiteliais da cápsula anterior para o polo posterior. O tratamento padrão-ouro é a capsulotomia posterior com YAG Laser. Este procedimento cria uma abertura central na cápsula opacificada, restaurando a transparência do eixo óptico. É um procedimento ambulatorial, rápido e geralmente seguro, embora apresente riscos mínimos de descolamento de retina ou aumento da pressão intraocular em pacientes predispostos.
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