Strongyloidíase: Diagnóstico e Tratamento da Infecção

UNITAU - Universidade de Taubaté (SP) — Prova 2018

Enunciado

Um escolar de 8 anos, cuja família mora em local sem saneamento básico, iniciou, há 7 dias, quadro de febre que durou 4 dias, tosse com expectoração hialina e diarreia, com fezes líquidas, de cor amarelo-esverdeada, odor fétido, 4 vezes ao dia, sem muco ou sangue. Apresenta queda do estado geral e recusa alimentar. Ao exame físico: regular estado geral, acianótico, anictérico, afebril, mucosas úmidas e hipocoradas (+/4+), ausculta cardíaca sem alterações, ausculta pulmonar com roncos e sibilos difusos. Abdome normotenso, globoso, hipertimpânico, indolor, fígado palpável a 3 cm do rebordo costal direito, parenquimatoso. Exames laboratoriais: hemograma com hemoglobina = 9g/dl; leucócitos=12000 (25% eosinófilo), radiografia de tórax com infiltrado peri-hilar e hilar difuso. Qual é o provável agente responsável pela associação desse quadro intestinal com manifestação pulmonar e qual a opção terapêutica?

Alternativas

  1. A) Trichuris trichiura, albendazol
  2. B) Enterobius vermicularis, palmoato de pirantel
  3. C) Strongylides stercoralis, tiabendazol
  4. D) Entamoeba hystolitica, metronid
  5. E) Giardia lamblia, metronidazol

Pérola Clínica

Febre + tosse + diarreia + eosinofilia + infiltrado pulmonar + saneamento precário → *Strongyloides stercoralis* → Tiabendazol/Ivermectina.

Resumo-Chave

A associação de sintomas gastrointestinais (diarreia), pulmonares (tosse, infiltrado) e eosinofilia em paciente de área com saneamento precário é altamente sugestiva de *Strongyloides stercoralis*, que pode causar a Síndrome de Loeffler. O tratamento de escolha é Tiabendazol ou Ivermectina.

Contexto Educacional

A strongyloidíase, causada pelo nematódeo *Strongyloides stercoralis*, é uma parasitose de solo que afeta milhões de pessoas globalmente, especialmente em regiões tropicais e subtropicais com saneamento precário. Sua particularidade reside na capacidade de autoinfecção, o que permite que a infecção persista por décadas e, em imunocomprometidos, evolua para formas graves como a síndrome de hiperinfecção, com alta mortalidade. O ciclo de vida do *Strongyloides* é complexo, envolvendo penetração cutânea, migração para os pulmões (podendo causar a Síndrome de Loeffler, com tosse, sibilância e infiltrados pulmonares, acompanhada de eosinofilia), e posterior estabelecimento no intestino delgado. Os sintomas incluem dor abdominal, diarreia, e manifestações cutâneas como larva currens. O diagnóstico é desafiador, pois a eliminação de larvas nas fezes pode ser intermitente, exigindo métodos mais sensíveis como o método de Baermann-Moraes ou cultura em ágar. O tratamento da strongyloidíase é crucial para prevenir a hiperinfecção. A Ivermectina (200 mcg/kg/dia por 1-2 dias) é a droga de escolha devido à sua alta eficácia e bom perfil de segurança. O Tiabendazol é uma alternativa, mas com mais efeitos adversos. Em pacientes imunocomprometidos, como aqueles em uso de corticoides, a vigilância e o tratamento agressivo são essenciais, pois a síndrome de hiperinfecção tem alta mortalidade e exige tratamento prolongado.

Perguntas Frequentes

Quais são as manifestações clínicas da strongyloidíase?

As manifestações podem ser cutâneas (larva currens), gastrointestinais (dor abdominal, diarreia, má absorção), pulmonares (tosse, sibilância, infiltrados, Síndrome de Loeffler) e, em imunocomprometidos, a grave síndrome de hiperinfecção disseminada.

Por que a eosinofilia é um achado laboratorial comum na strongyloidíase?

A eosinofilia é comum devido à resposta imune do hospedeiro à migração larvária do *Strongyloides stercoralis* pelos tecidos, especialmente na fase aguda da infecção e durante a autoinfecção contínua.

Qual a medicação de escolha para strongyloidíase e por que?

A medicação de escolha é a Ivermectina (200 mcg/kg/dia por 1-2 dias), que é mais eficaz e tem menos efeitos colaterais que o Tiabendazol, embora este também seja uma opção. A Ivermectina é preferida pela sua segurança e conveniência.

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