Strongyloides Stercoralis: Diagnóstico e Tratamento Pediátrico

UFS/HU - Hospital Universitário de Sergipe - Aracaju (SE) — Prova 2020

Enunciado

Pré-escolar, 03 anos, cuja família provém de um assentamento de trabalhadores sem teto, há 07 dias iniciou quadro de febre, que durou 04 dias, tosse com expectoração hialina e diarreia, com fezes líquidas de cor amarelo-esverdeada, odor pútrido, 04 vezes ao dia, sem muco ou sangue. Apresenta-se com queda do estado geral e recusa alimentar. Ao exame: regular estado geral, acianótico, anictérico, afebril, hidratado, hipocorado ( 1+/ 4+), ausculta cardíaca sem alterações, ausculta pulmonar com roncos e sibilos difusos. Abdome normotenso, globoso, hipertimpânico, indolor, fígado palpável a 03 cm do RCD, parenquimatoso. Exames laboratoriais: Hb 9,0g/dl; GB 12.000 (25% de eosinófilos), radiografia de tórax com infiltrado perihilar e hilar difuso. Neste sentido, qual o provável agente responsável pela associação deste quadro intestinal com manifestação pulmonar e a opção terapêutica? 

Alternativas

  1. A) Trichuris trichiura, albendazol. 
  2. B) Enterobius vermiculares, pamoato de pirantel. 
  3. C) Strongyloides stercoralis, tiabendazol. 
  4. D) Entamoeba hystolitica, metronidazol. 

Pérola Clínica

Eosinofilia + infiltrado pulmonar + diarreia em criança de assentamento → Strongyloides stercoralis, tratar com Tiabendazol.

Resumo-Chave

A associação de febre, tosse com expectoração, diarreia, eosinofilia e infiltrado pulmonar em uma criança de área de risco (assentamento) é altamente sugestiva de Strongyloides stercoralis, que pode causar a Síndrome de Loeffler. O tratamento de escolha para estrongiloidíase é o tiabendazol ou ivermectina.

Contexto Educacional

A estrongiloidíase, causada pelo Strongyloides stercoralis, é uma parasitose intestinal de grande relevância em regiões com saneamento básico precário, como assentamentos. Sua particularidade reside na capacidade de autoinfecção, o que pode levar a infecções crônicas e, em imunocomprometidos, à síndrome de hiperinfecção, uma condição grave e potencialmente fatal. Em crianças, a apresentação clínica pode ser variada e inespecífica, dificultando o diagnóstico. A fisiopatologia da estrongiloidíase envolve a penetração das larvas filariformes pela pele, migração para os pulmões (causando a Síndrome de Loeffler, caracterizada por tosse, sibilos, infiltrados pulmonares e eosinofilia), e posterior deglutição para o intestino, onde se desenvolvem em vermes adultos. A eosinofilia é um marcador importante, mas não exclusivo, de infecção parasitária. A associação de sintomas gastrointestinais (diarreia pútrida), pulmonares e eosinofilia, em um contexto epidemiológico favorável, deve levantar forte suspeita de estrongiloidíase. O tratamento da estrongiloidíase é fundamental para evitar a cronicidade e as complicações. Embora o tiabendazol seja uma opção, a ivermectina é atualmente considerada o fármaco de escolha devido à sua alta eficácia e melhor perfil de segurança. O albendazol tem menor eficácia para Strongyloides. É crucial o tratamento de todos os membros da família e a melhoria das condições sanitárias para controle da doença.

Perguntas Frequentes

Quais são as manifestações clínicas da estrongiloidíase em crianças?

A estrongiloidíase pode apresentar manifestações cutâneas (larva currens), gastrointestinais (diarreia, dor abdominal, vômitos), e pulmonares (tosse, sibilos, infiltrados, Síndrome de Loeffler) devido à migração das larvas. Eosinofilia é um achado laboratorial comum.

O que é a Síndrome de Loeffler e como se relaciona com parasitoses?

A Síndrome de Loeffler é uma condição caracterizada por infiltrados pulmonares transitórios, tosse, sibilos e eosinofilia periférica. É frequentemente associada à migração pulmonar de larvas de parasitas intestinais como Ascaris lumbricoides, Ancylostoma duodenale, Necator americanus e Strongyloides stercoralis.

Qual o tratamento de escolha para Strongyloides stercoralis?

O tratamento de escolha para Strongyloides stercoralis é a ivermectina, que é altamente eficaz. O tiabendazol também é uma opção, embora com mais efeitos adversos. O albendazol pode ser usado, mas com menor eficácia em comparação com ivermectina.

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