PSU-AL - Processo Seletivo Unificado de Alagoas — Prova 2025
Menino, 4 anos de idade, com febre persistente de 39.7o C, tosse e oximetria de pulso de 86%, é regulado para internação em hospital regional. O Setor de Radiologia informa que o aparelho se encontra em manutenção. O leucograma realizado, no mesmo dia, mostra leucocitose com desvio à esquerda.Indique o agente etiológico mais provável para a condição apresentada por essa criança:
Febre alta + tosse + hipoxemia + leucocitose com desvio → Streptococcus pneumoniae.
O pneumococo continua sendo o principal agente bacteriano de pneumonia típica na infância, caracterizando-se por início agudo e sinais de gravidade.
A pneumonia bacteriana na infância é uma causa importante de morbimortalidade. O Streptococcus pneumoniae (pneumococo) coloniza a nasofaringe e pode invadir o trato respiratório inferior, causando resposta inflamatória intensa. O diagnóstico é eminentemente clínico, apoiado por exames laboratoriais que demonstram perfil inflamatório bacteriano. A compreensão da epidemiologia local e do perfil de resistência é vital para a escolha da terapia empírica. Em crianças de 4 anos, o pneumococo ainda deve ser a primeira suspeita em quadros graves e típicos.
Os sinais de gravidade incluem a presença de hipoxemia (SpO2 < 92%), taquipneia persistente, sinais de esforço respiratório (tiragem subcostal, batimento de asa de nariz, gemência), incapacidade de ingerir líquidos e alteração do nível de consciência. No caso clínico, a oximetria de 86% indica insuficiência respiratória grave, exigindo internação imediata, suporte de oxigênio e monitorização contínua em ambiente hospitalar.
Apesar da vacinação, o S. pneumoniae permanece como a causa bacteriana mais comum de pneumonia típica. O quadro clínico de febre muito alta (39.7°C), evolução aguda e o achado laboratorial de leucocitose significativa com desvio à esquerda (aumento de neutrófilos jovens) são altamente sugestivos de etiologia bacteriana clássica, diferenciando-se dos quadros virais que costumam ter início mais insidioso e leucograma sem desvio.
A prioridade é a estabilização respiratória com oferta de oxigênio suplementar para manter a saturação acima de 92-94%. Deve-se garantir acesso venoso para hidratação e início precoce de antibioticoterapia sistêmica, como Penicilina Cristalina ou Ampicilina. Exames de imagem devem ser realizados para avaliar complicações como derrame pleural, embora o tratamento não deva ser retardado pela indisponibilidade momentânea da radiologia.
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