Profilaxia de GBS na Gestação: Indicações Absolutas

SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2020

Enunciado

Uma gestante de 26 anos de idade, IG de nove semanas, G2P1A0, retorna à UBS para consulta de pré-natal. Apresenta queixa de azia, constipação e desconforto esporádico em quadrante superior direito do abdome. Ao exame físico, apresenta bom estado geral, abdome indolor, útero impalpável e BCF inaudíveis, Frequência cardíaca = 90 bpm, frequência respiratória = 17 ipm, SatO₂ = 98% em ar ambiente. Leva calendário vacinal com esquema completo para hepatite B e três doses da dupla adulto (dT), realizadas na última gestação, há três anos. Entre os exames complementares, destacam-se os seguintes resultados: EQU sem particularidades; e urocultura - crescimento de Streptococcus do grupo B > 100.000 UFC/mL. Acerca desse caso clínico e com base nos conhecimentos médicos correlatos, julgue o item a seguir. A paciente deverá realizar a profilaxia para infecção neonatal por Streptococcus do grupo B, durante trabalho de parto, mesmo se apresentar swab vaginal e anal negativos entre 35 e 37 semanas.

Alternativas

  1. A) Certo.
  2. B) Errado.

Pérola Clínica

Bacteriúria por GBS em qualquer título na gestação atual = Profilaxia intraparto obrigatória.

Resumo-Chave

A presença de GBS na urocultura indica alta colonização materna, sendo fator de risco independente para sepse neonatal precoce, dispensando o swab retovaginal posterior.

Contexto Educacional

O Streptococcus agalactiae (GBS) é a principal causa de sepse neonatal precoce. O rastreio universal entre 35 e 37 semanas reduziu drasticamente a incidência da doença. No entanto, certas condições clínicas identificadas precocemente no pré-natal, como a bacteriúria por GBS, sinalizam um nível de colonização tão alto que o risco para o neonato é presumido como elevado, tornando a profilaxia intraparto mandatória para garantir a segurança do binômio mãe-filho.

Perguntas Frequentes

Quais gestantes têm indicação direta de profilaxia para GBS?

As indicações diretas (que dispensam o rastreio por swab) são: 1) Recém-nascido anterior com sepse por GBS; 2) Bacteriúria por GBS na gestação atual (independente da contagem de colônias); 3) Swab retovaginal positivo entre 35-37 semanas. Se o status for desconhecido no parto, fatores de risco como prematuridade, febre intraparto ou bolsa rota >18h também indicam profilaxia.

Como deve ser feita a profilaxia intraparto?

O esquema de escolha é a Penicilina G Cristalina, com dose de ataque de 5 milhões de UI IV, seguida de 2,5 a 3 milhões de UI IV a cada 4 horas até o parto. A Ampicilina é a alternativa principal. Em caso de alergia à penicilina, a escolha depende do risco de anafilaxia e da sensibilidade do isolado (Cefazolina, Clindamicina ou Vancomicina).

Por que a bacteriúria por GBS indica profilaxia mesmo com swab negativo?

A bacteriúria por GBS é considerada um marcador de colonização vaginal/retal densa. Mesmo que um swab posterior venha negativo (devido à natureza transitória da colonização), o risco de transmissão vertical e sepse neonatal precoce permanece elevado o suficiente para justificar a antibioticoprofilaxia universal durante o trabalho de parto nessas pacientes.

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