CEPOA - Centro de Estudos e Pesquisas Oculistas Associados (RJ) — Prova 2020
Paciente 22 anos, no primeiro trimestre de gestação, ao ser submetida às suas primeiras sorologias pré-natais apresenta o seguinte resultado quando a sífilis primária: VDRL não reagente e FTA-reagente. A interpretação dos testes sorológicos nos permite concluir:
VDRL não reagente + FTA-Abs reagente em gestante sem sintomas → sífilis tratada/longa duração (cicatriz sorológica).
Em uma gestante, a combinação de VDRL não reagente (teste não treponêmico) e FTA-Abs reagente (teste treponêmico) na ausência de sintomas de sífilis primária ou secundária, e sem história de tratamento recente, é altamente sugestiva de sífilis de longa duração ou sífilis previamente tratada, caracterizando uma cicatriz sorológica. Não indica sífilis primária ativa.
A sífilis na gestação é uma preocupação de saúde pública devido ao risco de sífilis congênita, uma condição grave com altas taxas de morbidade e mortalidade. O rastreamento pré-natal é fundamental e envolve a realização de testes sorológicos. A interpretação desses testes, especialmente a combinação de testes treponêmicos e não treponêmicos, é crucial para o diagnóstico e manejo adequados. Os testes não treponêmicos (VDRL, RPR) são utilizados para rastreamento e monitoramento da atividade da doença, pois seus títulos diminuem com o tratamento. Já os testes treponêmicos (FTA-Abs, TP-PA) são mais específicos e geralmente permanecem reagentes por toda a vida, mesmo após a cura, indicando exposição prévia ao Treponema pallidum. No cenário de uma gestante com VDRL não reagente e FTA-Abs reagente, sem sintomas de sífilis primária ou secundária, a conclusão mais provável é que a paciente teve sífilis no passado e foi tratada com sucesso, ou que se trata de uma sífilis de longa duração onde o VDRL já se negativou, configurando uma 'cicatriz sorológica'. Nesses casos, a sífilis primária ativa é descartada. É imperativo revisar o histórico de tratamento para garantir que a gestante não necessita de retratamento, protegendo o feto da sífilis congênita.
Testes não treponêmicos (VDRL, RPR) detectam anticorpos contra lipídios liberados por células danificadas e treponemas. São úteis para rastreamento e monitoramento de tratamento, mas podem ser falso-positivos. Testes treponêmicos (FTA-Abs, TP-PA, ELISA) detectam anticorpos específicos contra o Treponema pallidum e permanecem reagentes por toda a vida, mesmo após tratamento eficaz.
Essa combinação, na ausência de sintomas clínicos, geralmente indica sífilis tratada com sucesso no passado ou sífilis de longa duração, onde o VDRL já negativou ou está em títulos muito baixos, enquanto o FTA-Abs permanece reagente como cicatriz sorológica. Não é indicativo de sífilis primária ativa.
Toda gestante com sífilis ativa (VDRL reagente com títulos significativos e/ou sintomas) ou com história de sífilis não tratada ou inadequadamente tratada deve ser tratada com penicilina benzatina. Mesmo em casos de cicatriz sorológica, é crucial revisar o histórico de tratamento para garantir que foi adequado, devido ao risco de sífilis congênita.
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