SMS João Pessoa - Secretaria Municipal de Saúde de João Pessoa (PB) — Prova 2024
Paciente masculino, 50 anos, com histórico de mal-estar geral, perda de peso inexplicável e dor abdominal difusa há alguns meses. Ele relata fadiga extrema, náuseas intermitentes e falta de apetite. Não há histórico significativo de doenças hepáticas conhecidas ou exposições a fatores de risco como álcool ou toxinas. Relata sorologia para hepatite B positiva. Ao exame físico, hepatomegalia discreta à palpação abdominal, mas sem outros achados relevantes. Traz alguns poucos exames laboratoriais evidenciando: ALT (alanina aminotransferase): 600 U/L (normal até 30 U/L). AST (aspartato aminotransferase): 500 U/L (normal até 35 U/L). Bilirrubina total: 1.2 mg/dL (normal até 1.2 mg/dL). Bilirrubina direta: 0.6 mg/dL (normal até 0.4 mg/dL). Coagulograma: dentro dos limites de normalidade. Conforme Informações em relação ao caso clínico, assinale a alternativa correta:
A Hepatite B é uma infecção viral hepática que pode levar a quadros agudos ou crônicos, com risco de cirrose e carcinoma hepatocelular. A interpretação correta da sorologia é fundamental para o diagnóstico e manejo, sendo um tópico frequente em provas de residência e crucial na prática clínica. Entender os diferentes marcadores (HBsAg, anti-HBs, anti-HBc total e IgM, HBeAg, anti-HBe) permite diferenciar entre infecção aguda, crônica, resolvida ou imunidade pós-vacinação. O padrão de anti-HBc isolado, caracterizado por HBsAg negativo e anti-HBs negativo, é particularmente desafiador. Pode representar uma infecção prévia resolvida com níveis baixos de anti-HBs, um falso-positivo (comum em populações de baixa prevalência), ou uma infecção crônica oculta, onde o HBV-DNA é detectável no fígado ou soro, mas o HBsAg é negativo. A investigação com HBV-DNA é essencial nesses casos, especialmente em pacientes imunocomprometidos ou com doença hepática inexplicada. O manejo da Hepatite B crônica visa suprimir a replicação viral e prevenir a progressão da doença. Pacientes com infecção crônica e carga viral detectável têm risco de desenvolver cirrose e carcinoma hepatocelular. A reativação do VHB é uma complicação grave em pacientes imunossuprimidos, podendo levar à insuficiência hepática aguda. A profilaxia antiviral é recomendada em pacientes com risco de reativação, dependendo do perfil sorológico e do grau de imunossupressão, sendo um ponto crítico na segurança do paciente.
Os padrões sorológicos incluem infecção aguda (HBsAg+, anti-HBc IgM+), crônica (HBsAg+, anti-HBc IgG+), imunidade pós-vacina (anti-HBs+ isolado) e infecção resolvida (anti-HBc+, anti-HBs+). O anti-HBc isolado é um padrão particular.
Anti-HBc isolado (HBsAg negativo e anti-HBs negativo) pode indicar uma infecção prévia resolvida com níveis indetectáveis de anti-HBs, um resultado falso-positivo, ou uma infecção crônica oculta pelo vírus da Hepatite B, que necessita de investigação com HBV-DNA.
A reativação do VHB é um risco em pacientes com infecção prévia ou crônica submetidos a imunossupressão. A prevenção envolve o rastreamento sorológico antes da imunossupressão e, se indicado, profilaxia antiviral.
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