Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2024
Paciente de sexo feminino, 22 anos, refere ter realizado exames de rotina para ISTs e apresentou os seguintes resultados. Anti-HBs reagente, Anti-HBc reagente, HBsAg não reagente, VDRL 1/16 e teste rápido para sífilis não reagente. Por este motivo foi encaminhado para avaliação com infectologista que solicitou um novo FTA-abs IGG e IGM com resultado não reagentes. Qual seria a orientação em relação aos resultados?
Anti-HBs+, Anti-HBc+, HBsAg- → Imunidade por infecção prévia HBV. VDRL+ com FTA-abs- → Falso positivo sífilis.
A combinação de Anti-HBs reagente, Anti-HBc reagente e HBsAg não reagente indica imunidade à Hepatite B por exposição prévia ao vírus. Para sífilis, um VDRL reagente com teste rápido não reagente e FTA-abs não reagente sugere um falso positivo do VDRL, descartando sífilis ativa ou pregressa.
A interpretação correta dos exames sorológicos para ISTs, como Hepatite B e Sífilis, é fundamental na prática clínica para evitar diagnósticos errôneos e tratamentos desnecessários. A Hepatite B possui um perfil sorológico complexo, onde a presença de Anti-HBs e Anti-HBc, com ausência de HBsAg, denota imunidade pós-infecção, diferenciando-se da imunidade pós-vacinação (apenas Anti-HBs reagente). No caso da sífilis, a abordagem diagnóstica envolve testes não treponêmicos (VDRL, RPR) e treponêmicos (FTA-abs, TPPA). Os testes não treponêmicos são úteis para triagem e monitoramento da atividade da doença, mas podem apresentar falsos positivos. Por isso, um resultado reagente deve sempre ser confirmado por um teste treponêmico, que possui maior especificidade para a infecção por Treponema pallidum. A paciente em questão apresenta um cenário clássico de imunidade à Hepatite B por infecção prévia e um falso positivo para sífilis, confirmado pelo FTA-abs não reagente. A compreensão desses perfis sorológicos é crucial para a conduta adequada, evitando ansiedade desnecessária para o paciente e uso indevido de antibióticos, reforçando a importância da avaliação por um especialista em infectologia.
Essa combinação indica imunidade à Hepatite B devido a uma infecção prévia resolvida. O indivíduo não está mais infectado e possui anticorpos protetores.
Falsos positivos para VDRL podem ocorrer em doenças autoimunes (lúpus, artrite reumatoide), gravidez, outras infecções virais (mononucleose, HIV), malária, vacinações recentes e uso de drogas intravenosas.
Testes não treponêmicos (VDRL, RPR) detectam anticorpos contra cardiolipina e são usados para triagem e monitoramento de tratamento. Testes treponêmicos (FTA-abs, TPPA, ELISA) detectam anticorpos específicos contra Treponema pallidum e são confirmatórios, permanecendo reagentes por toda a vida.
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