MedEvo Simulado — Prova 2026
Enzo, um pré-escolar de 5 anos de idade, é levado à consulta de rotina para acompanhamento de puericultura. A mãe relata que ele é muito ativo, brinca sem cansar, apresenta bom apetite e não possui antecedentes mórbidos relevantes. Ao exame físico, a criança encontra-se em bom estado geral, corada, hidratada e eupneica. O peso e a estatura estão adequados para a idade. Na ausculta cardíaca, em decúbito dorsal, nota-se um sopro sistólico de ejeção, de intensidade II/VI, com timbre vibratório/musical, mais audível em borda esternal esquerda baixa, sem irradiação. Observa-se que a intensidade do sopro diminui significativamente quando a criança é colocada na posição sentada. As bulhas são normais e os pulsos periféricos são simétricos e amplos. Diante desse quadro clínico, a conduta mais adequada é:
Sopro sistólico musical + muda com a posição + sem sintomas = Sopro de Still (Inocente).
O sopro de Still é o sopro inocente mais comum na infância. Caracteriza-se por ser sistólico, vibratório, audível em borda esternal esquerda e que diminui com a posição sentada.
Sopros cardíacos são achados extremamente comuns na prática pediátrica, presentes em até 50-70% das crianças em algum momento do desenvolvimento. A vasta maioria é de natureza 'inocente' ou 'funcional', decorrente da turbulência normal do fluxo sanguíneo em estruturas cardíacas anatomicamente normais. O sopro de Still, descrito por Sir George Frederic Still em 1909, é o protótipo desses achados. Compreender sua semiologia evita iatrogenias, custos desnecessários ao sistema de saúde e ansiedade familiar excessiva.
O sopro de Still é um sopro sistólico de ejeção, geralmente de baixa intensidade (grau I a II/VI), com um timbre característico vibratório, musical ou 'em corda de viola'. É mais bem ouvido entre o ápice e a borda esternal esquerda baixa. Uma característica fundamental é a sua labilidade: a intensidade diminui ou desaparece quando o paciente se senta ou fica de pé, e aumenta em estados hiperdinâmicos como febre ou ansiedade.
Sinais de alerta (red flags) incluem: sopros diastólicos, sopros holossistólicos, intensidade ≥ III/VI, presença de frêmito, cliques de ejeção, desdobramento fixo de segunda bulha, pulsos anormais ou sintomas associados como cianose, dificuldade alimentar, baixo ganho ponderal e intolerância ao esforço.
Não. Se o sopro apresenta todas as características de um sopro inocente (como o de Still) em uma criança com crescimento e desenvolvimento normais e exame físico sem outras alterações, não há necessidade de exames complementares ou encaminhamento especializado. A conduta correta é tranquilizar os pais e manter o seguimento de rotina na puericultura.
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