PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2015
Ao se auscultar o coração de um homem hígido de 35 anos em consulta de rotina, o clínico encontrou um sopro sistólico panfocal, alcançando a axila E classificado como de intensidade 3 a 4/6, segundo Levine. O sopro era audível durante toda a sístole, já se iniciando com a primeira bulha. Achados adicionais ao exame cardiovascular incluíam a observação de um impulso carotídeo normal e um impulso apical com desvio discreto para a esquerda. Assinale a alternativa que apresenta MENOR probabilidade de corresponder aos achados do caso em questão:
Sopro sistólico panfocal com irradiação para axila E + impulso apical desviado → forte suspeita de Insuficiência Mitral.
Um sopro sistólico panfocal (holossistólico) que irradia para a axila esquerda, associado a um impulso apical desviado, é um achado clássico de insuficiência mitral. A estenose aórtica, por outro lado, tipicamente produz um sopro sistólico ejetivo que irradia para o pescoço e não para a axila, tornando-a menos provável neste cenário.
A ausculta cardíaca é uma habilidade fundamental na cardiologia, permitindo a detecção de valvopatias e outras condições cardíacas. Sopro sistólico é um achado comum, e sua correta interpretação, baseada em características como intensidade, localização, irradiação e relação com as bulhas cardíacas, é crucial para o diagnóstico diferencial. A diferenciação entre insuficiência mitral e estenose aórtica é um dos desafios mais frequentes no exame físico. A insuficiência mitral (IM) é caracterizada por um sopro holossistólico (panfocal), que começa com a primeira bulha e se estende por toda a sístole, com irradiação clássica para a axila esquerda. A IM causa sobrecarga de volume no ventrículo esquerdo, levando a hipertrofia e dilatação, o que pode resultar em desvio do impulso apical. Já a estenose aórtica (EA) produz um sopro sistólico ejetivo, em crescendo-decrescendo, com irradiação para o pescoço, e não para a axila, e pode estar associada a um pulso parvus et tardus. A comunicação interventricular (CIV) também pode causar um sopro holossistólico, mas geralmente é mais intenso na borda esternal inferior e não irradia tipicamente para a axila. A degeneração mixomatosa da valva mitral e a insuficiência mitral reumática são etiologias comuns de IM, ambas apresentando o sopro característico. A compreensão dessas diferenças semiológicas é vital para o raciocínio clínico e para guiar a investigação diagnóstica complementar, otimizando o manejo do paciente.
O sopro da insuficiência mitral é tipicamente holossistólico (panfocal), de alta frequência, melhor audível no ápice e irradia para a axila esquerda. Pode ser acompanhado por uma terceira bulha (B3) e desvio do impulso apical devido à sobrecarga de volume do ventrículo esquerdo.
O sopro da estenose aórtica é sistólico ejetivo (em diamante), de média frequência, melhor audível na base (foco aórtico) e irradia para o pescoço (carótidas). Geralmente não irradia para a axila e pode estar associado a um pulso parvus et tardus.
Um impulso apical desviado para a esquerda e/ou para baixo sugere cardiomegalia ou dilatação ventricular esquerda. Este achado é comum em condições que causam sobrecarga de volume crônica, como a insuficiência mitral, devido à adaptação do ventrículo.
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