Sopro de Still em Crianças: Diagnóstico e Conduta

FBHC - Fundação de Beneficência Hospital de Cirurgia (SE) — Prova 2021

Enunciado

Você está em sua unidade básica de saúde no interior, no segundo dia de trabalho e uma criança de 5 anos é trazida para puericultura. Você faz uma anamnese e exame físico e a criança é assintomática e você ausculta apenas um sopro sistólico de 2+/6+, audível em bordo esternal esquerdo baixo, sem irradiação e vibratório. Qual a melhor conduta neste caso?

Alternativas

  1. A) Encaminhar a um ambulatório de cardiologia pediátrica na capital, pois sopro em criança geralmente é sinal de cardiopatia congênita.
  2. B) Tranquilizar a mãe, explicando que a ausculta é de provável sopro inocente de Still e que, por segurança, a criança será afastada das atividades físicas até melhor elucidação.
  3. C) As características do sopro sugerem sopro patológico e um ecocardiograma deve ser providenciado sem urgência, visto que a criança encontra-se assintomática.
  4. D) Encaminhar de imediato a um pronto-atendimento para ser realizada uma radiografia de tórax e um eletrocardiograma, que permitirão a definição do caso.
  5. E) Tranquilizar a mãe e fazer seguimento anual até o desaparecimento do sopro, podendo-se pedir radiografia e eletrocardiograma ambulatorialmente, que devem vir com resultado normal.

Pérola Clínica

Sopro de Still: vibratório, sistólico, 2+/6+, em criança assintomática → tranquilizar e seguimento anual.

Resumo-Chave

O sopro de Still é o sopro inocente mais comum em crianças, caracterizado por ser vibratório, de baixa intensidade (geralmente 1-3/6), sistólico, audível em bordo esternal esquerdo baixo e ápice, sem irradiação e sem outros sinais de cardiopatia. Não requer investigação adicional imediata nem restrição de atividades físicas, apenas acompanhamento clínico.

Contexto Educacional

O sopro cardíaco é um achado comum na pediatria, sendo que a maioria é funcional ou inocente. O sopro de Still é o mais frequente, ocorrendo em até 70% das crianças em algum momento da vida, geralmente entre 2 e 6 anos de idade. É crucial para o médico generalista e o pediatra saber diferenciar um sopro inocente de um patológico para evitar exames desnecessários e ansiedade familiar, além de garantir o encaminhamento adequado quando necessário. A fisiopatologia dos sopros inocentes está relacionada ao fluxo sanguíneo turbulento em estruturas cardíacas normais, como as valvas e grandes vasos, que se tornam mais audíveis devido à parede torácica mais fina e à maior frequência cardíaca na infância. O diagnóstico é eminentemente clínico, baseado nas características da ausculta e na ausência de sintomas ou outros sinais de doença cardíaca. A presença de um sopro vibratório, sistólico, de baixa intensidade, sem irradiação e em uma criança assintomática é altamente sugestiva de inocência. A conduta para um sopro inocente é tranquilizar os pais e manter o seguimento pediátrico de rotina. Não há necessidade de restrição de atividades físicas ou de exames complementares urgentes. Um ecocardiograma só é indicado se houver dúvidas diagnósticas ou se o sopro apresentar características atípicas que sugiram patologia. O prognóstico é excelente, e o sopro tende a desaparecer espontaneamente com o crescimento da criança.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais características de um sopro inocente de Still?

O sopro de Still é tipicamente sistólico, vibratório ou musical, de baixa intensidade (grau 1-3/6), audível no bordo esternal esquerdo inferior e ápice, sem irradiação e em uma criança assintomática, sem outros sinais de doença cardíaca.

Quando um sopro cardíaco em criança deve levantar suspeita de cardiopatia congênita?

Sopros patológicos geralmente são de alta intensidade (≥3/6), holossistólicos, diastólicos, contínuos, acompanhados de frêmito, cianose, dispneia, baixo ganho ponderal ou outras alterações no exame físico, como pulsos diminuídos ou hepatomegalia.

Qual a conduta inicial para um sopro com características de inocente em uma criança assintomática?

A conduta inicial é tranquilizar os pais, explicar a natureza benigna do sopro e realizar seguimento clínico anual. Exames complementares como ECG e radiografia de tórax podem ser solicitados ambulatorialmente, mas geralmente são normais e não são urgentes.

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