SEMUSA (SMS) Macaé — Prova 2025
Escolar, sexo masculino, sete anos, é atendido em serviço de emergência com queixa de febre de 38° C há dois dias sem outros sintomas associados. Exame físico: FR: 16 irpm. FC: 90 bpm, PA: 97 x 55 mmHg, SatO2 96%. ACV: precórdio calmo, bulhas normofonéticas com desdobramento fisiológico da 2ª bulha e sopro sistólico ++/VI vibratório em bordo estemal esquerdo médio. O diagnóstico é:
Sopro sistólico vibratório/musical em pré-cordal, com B2 fisiológica em criança saudável → Sopro inocente (Still).
O sopro de Still é o sopro inocente mais comum, causado pela vibração do fluxo sanguíneo na via de saída do ventrículo esquerdo. Suas características clássicas (sistólico, suave, vibratório, sem irradiação, com segunda bulha normal) permitem o diagnóstico clínico sem necessidade de exames complementares em crianças assintomáticas.
O sopro cardíaco é um achado comum na pediatria, e a maioria é classificada como 'inocente' ou 'funcional', significando que ocorre em um coração estruturalmente normal. O Sopro de Still é o tipo mais prevalente de sopro inocente, geralmente auscultado em crianças entre 2 e 7 anos de idade. Sua origem está relacionada à vibração do sangue e das valvas semilunares na via de saída do ventrículo esquerdo. A identificação correta do sopro inocente é uma habilidade clínica crucial. O Sopro de Still é classicamente descrito como um sopro sistólico, de baixa intensidade (grau I-II/VI), com um timbre vibratório ou musical, melhor audível em bordo esternal esquerdo médio, sem irradiação significativa. Crucialmente, o restante do exame cardiovascular é normal, incluindo pulsos, precórdio calmo e um desdobramento fisiológico da segunda bulha cardíaca (B2), que varia com a respiração. O diagnóstico diferencial com sopros patológicos, como os de comunicação interventricular (CIV) ou estenose aórtica, é fundamental. Sopros patológicos costumam ser mais intensos, holossistólicos ou diastólicos, associados a frêmitos, B2 anormal e sintomas como cianose ou dificuldade de crescimento. A correta caracterização do sopro inocente evita investigações desnecessárias e a ansiedade dos pais, reforçando a importância de uma semiologia cardiovascular apurada.
Sinais de alarme incluem sopro diastólico, holossistólico, de alta intensidade (≥ grau III/VI), presença de frêmito, desdobramento fixo de B2, estalidos, cianose, baixo ganho de peso, dispneia ou síncope.
A conduta é expectante. É fundamental tranquilizar os pais, explicando a natureza benigna do achado, e seguir o acompanhamento pediátrico de rotina. Não há necessidade de restrição de atividades físicas ou profilaxia para endocardite infecciosa.
Estados hiperdinâmicos como febre, anemia ou exercício físico aumentam o débito cardíaco e a velocidade do fluxo sanguíneo. Isso pode intensificar a ausculta de um sopro inocente preexistente, tornando-o mais audível durante o exame físico.
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