COC - Centro Oncológico de Cuiabá (MT) — Prova 2020
Uma menina de 5 anos é levada ao pediatra para consulta anual de rotina. Na história clínica não há nenhuma queixa, e no exame físico não é encontrada nenhuma alteração, exceto pela presença de um sopro sistólico ejetivo (+/6+) no bordo esquerdo esternal alto e desdobramento variável da 2ª bulha. O provável diagnóstico a ser confirmado pelo ecocardiograma é:
Sopro inocente em criança → sistólico ejetivo, intensidade <3/6, bordo esternal esquerdo alto, desdobramento fisiológico da 2ª bulha.
A descrição de um sopro sistólico ejetivo de baixa intensidade (+/6+), sem outras alterações no exame físico de uma criança assintomática, e com desdobramento variável da 2ª bulha, é altamente sugestiva de um sopro inocente (de Still), que é fisiológico e não requer investigação adicional.
Sopros cardíacos são achados comuns na infância, sendo a maioria deles inocentes ou funcionais. O sopro inocente, também conhecido como sopro de Still, é uma condição fisiológica que não representa doença cardíaca estrutural. Sua prevalência é alta, ocorrendo em até 70% das crianças em algum momento da vida, e é crucial para o residente saber diferenciá-lo de sopros patológicos para evitar ansiedade familiar e exames desnecessários. A fisiopatologia do sopro inocente está relacionada ao fluxo sanguíneo turbulento através de estruturas cardíacas normais, especialmente durante períodos de aumento do débito cardíaco (febre, anemia, exercício). O diagnóstico é clínico, baseado nas características do sopro (sistólico ejetivo, baixa intensidade, foco no bordo esternal esquerdo alto, sem irradiação, desdobramento fisiológico da 2ª bulha) e na ausência de outros sinais ou sintomas de doença cardíaca. O tratamento do sopro inocente é a observação e o aconselhamento dos pais, garantindo que não há patologia subjacente. O prognóstico é excelente, com o sopro frequentemente desaparecendo com o crescimento da criança. É fundamental para o médico generalista e pediatra ter segurança no diagnóstico diferencial para evitar encaminhamentos desnecessários a cardiologistas pediátricos e reduzir custos ao sistema de saúde.
Um sopro inocente é tipicamente sistólico ejetivo, de baixa intensidade (geralmente <3/6), audível no bordo esquerdo esternal alto, sem irradiação significativa, e pode apresentar desdobramento fisiológico da segunda bulha. A criança é assintomática e o exame físico é normal.
Sopros de alta intensidade (>3/6), holossistólicos, diastólicos, contínuos, acompanhados de sintomas (cianose, dispneia, baixo ganho ponderal) ou outras alterações no exame físico (pulsos anormais, hepatomegalia, frêmito) devem levantar suspeita de cardiopatia congênita.
Após a identificação de um sopro com características de inocência e um exame físico normal, não há necessidade de exames complementares como ecocardiograma. O acompanhamento clínico de rotina é suficiente, tranquilizando os pais.
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