HEDA - Hospital Estadual Dirceu Arcoverde (PI) — Prova 2023
Mulher de 22 anos, nuligesta, procura atendimento com queixa de falta de menstruação há 3 meses. Refere que desde a adolescência suas menstruações são irregulares com ciclos geralmente de 2 meses e que o volume menstrual era grande quando ocorria a menstruação. Refere também pele oleosa e acne. Não mantém relações sexuais há uns 4 meses e não usa nenhuma medicação atualmente. Nega doenças crônicas e cirurgias. Ao exame físico, acne na face na forma comedão, pelos pouco aumentados na face e pelos grossos na linha alba infraumbilical. A hipótese inicial feita pelo médico assistente foi síndrome dos ovários policísticos. É correto afirmar que:
SOP pode ocorrer com níveis androgênicos plasmáticos normais se houver sinais clínicos de hiperandrogenismo.
A Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) pode ser diagnosticada mesmo com níveis de testosterona total dentro da faixa de normalidade, desde que haja evidência clínica de hiperandrogenismo (como acne, hirsutismo) e os outros critérios de Rotterdam sejam preenchidos, após exclusão de outras causas. O hiperandrogenismo clínico é suficiente.
O caso clínico apresentado ilustra um cenário comum na prática médica, onde uma paciente jovem com irregularidade menstrual e sinais de hiperandrogenismo (acne, hirsutismo) levanta a suspeita de Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP). Para residentes e estudantes, é fundamental compreender que o diagnóstico da SOP não se baseia apenas em exames laboratoriais, mas sim em uma combinação de critérios clínicos e, quando necessário, ultrassonográficos e bioquímicos. Um ponto crucial é que o hiperandrogenismo, um dos pilares diagnósticos da SOP, pode ser manifestado clinicamente mesmo com níveis plasmáticos de androgênios dentro da faixa de normalidade. Isso significa que a presença de hirsutismo, acne ou alopecia é suficiente para preencher o critério de hiperandrogenismo, mesmo que a testosterona total ou livre esteja normal. A exclusão de outras causas de hiperandrogenismo e irregularidade menstrual é sempre necessária. A amenorreia ou oligomenorreia, como a referida pela paciente, é um dos critérios de oligo/anovulação. A ultrassonografia ovariana, embora útil, não é obrigatória se os outros dois critérios de Rotterdam estiverem presentes. O manejo da SOP é individualizado, mas a pílula anticoncepcional combinada é frequentemente utilizada para regularizar ciclos e tratar o hiperandrogenismo, não sendo contraindicada, mas sim uma opção terapêutica eficaz.
O hiperandrogenismo pode ser avaliado clinicamente (hirsutismo, acne, alopecia androgênica) ou bioquimicamente (níveis elevados de testosterona total ou livre, sulfato de deidroepiandrosterona - DHEAS). A presença de sinais clínicos é suficiente, mesmo que os exames laboratoriais de androgênios estejam normais.
Não, a relação LH:FSH > 2 ou > 3 já foi considerada um critério importante, mas não é mais um critério diagnóstico obrigatório nos Critérios de Rotterdam. Pode estar alterada em algumas pacientes com SOP, mas sua ausência não exclui o diagnóstico.
A pílula anticoncepcional combinada é uma das principais opções terapêuticas para o manejo dos sintomas da SOP, especialmente para regularizar os ciclos menstruais, reduzir o hiperandrogenismo (acne, hirsutismo) e proteger o endométrio contra hiperplasia. Não está contraindicada, mas sim indicada em muitos casos.
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